São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Berlusconi adota postura casta e austera, mas a bela Minetti vira empecilho

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de Julho de 2012.
Fim daquela era?




O ex-premiê Silvio Berlusconi quer voltar à vida política. E quer novamente o cargo de primeiro-ministro (chefe de governo) da Itália. De quebra e para o futuro, Berlusconi fala em reforma política para tirar a Itália do sistema parlamentarista e colocar o presidencialismo no lugar. Tudo isso para Berlusconi virar presidente, ou seja, acumular a chefia de governo com a chefia do Estado.

Neste final de semana, a Comunidade Europeia alertou que também naufragaria com a volta de Berlusconi. Como todos sabem, o ex-premiê levou a Itália a uma crise pré-falimentar.

Na hipótese de Berlusconi voltar pelo voto popular, o atual trabalho do premiê Mario Monti irá por água abaixo. Mario Monti foi designado para um governo técnico de salvação econômico-financeira que exige enormes sacrifícios dos cidadãos. Sua tarefa é terminar com o caos do tempo berlusconiano.

No seu novo projeto, Berlusconi quer mudar até o nome do seu partido político (atual PDL-Popolo della Liberta). Mais ainda, fala em austeridade e vida recatada.

Pela boca da sua apoiadora Daniela Santachè, que depois das plásticas parece não poder mexer a musculatura facial sem risco de a fachada plastificada se romper, Berlusconi mandou anunciar o fim da “era das Minetti”.

Santachè, uma parlamentar da ultradireita, é aquela que, vaiada num comício, levantou o dedo médio aos desafetos. A partir daí, ficou conhecida por toda a Itália como Santachè-vaffanculo.

O fim da “era Minetti” significa, como frisaram os jornais italianos, que Berlusconi abdicou das orgias. Aquelas que lembravam os tempos de alguns célebres imperadores romanos de um passado remoto. O “fim das Minetti”, trocado em miúdos e no popular, quer dizer promessa de fim das festas com bunga-bunga. Das garotas de programa a alegrar os convidados e o então premiê.

Minetti, ou melhor, Nicole Minetti, 27 anos de idade, era a responsável pela logística desse instalado “sistema de prostituição”. Por exemplo, ela contratava as prostitutas, alugava apartamentos para as lindas jovens, reservava hotéis e passagens aéreas.

La Minetti começou a carreira televisiva como “chacrete” no programa “Colorao Caffè”. Logo virou, pasmem, “higienista dental” de Berlusconi. Na verdade, a bela Minetti era a gerente das garotas de programa e está sendo processada, com Berlusconi, por levar a uma das orgias a menor de idade apelidada Ruby Robacuore. Esta, uma marroquina, envolveu-se a pagamento com Berlusconi.

Certa vez, quando Ruby restou detida por furto em Milão, o premiê inventou uma história para enganar as autoridades, justificar a sua intromissão no caso e soltá-la.

Berlusconi contou que Ruby era sobrinha do então presidente Hosni Mubarak. E este recomendou pessoalmente para Berlusconi vigiar e ajudar a sobrinha. A propósito, Berlusconi pensou que Mubarak, então presidente do Egito, fosse o presidente do Marrocos, pois Ruby é marroquina.

Coube a Minetti assumir formalmente a responsabilidade pela guarda da menor Ruby. Depois de tirá-la do posto de detenção, Minetti deixou-a percorridos dois quarteirões do local da custódia.

No momento, o grande problema não é a saída da La Minetti de cena e isso para Berlusconi melhor interpretar o papel de recatado e respeitoso. A complicação decorre do fato de Minetti não querer renunciar ao cargo de conselheira (deputada) regional da Lombardia, cuja capital é Milão.

Berlusconi colocou Minetti na lista do seu partido (eleição pelo sistema distrital de listas). Ela era o oitavo nome da lista e os cidadãos votam nas listas e não em nomes. Resumo: Minetti ganhou fácil.

Mais ainda: se ela permanecer no cargo (não renunciar) por mais seis meses fará jus, segundo a legislação italiana, a uma pensão vitalícia. O secretário-geral do PDL, um pau-mandado de Berlusconi e conhecido por Angelino Alfano (parlamentar que já foi ministro da Justiça no governo Berlusconi), declarou, ontem e em entrevista televisiva, que era favorável à renúncia de Minetti.

No popular, Minetti não vai largar o osso sem uma régia indenização a ser paga, por baixo do pano, por Berlusconi. A última vez que ameaçou abrir a boca, La Minetti ganhou de Berlusconi um automóvel zero conversível: minicooper, com motor BMW.

Outras garotas de programa recebem mesadas de Berlusconi, apesar de arroladas como testemunhas nos autos do processo sobre o caso Ruby. Berlusconi justifica. Fala que elas tiveram imagens divulgadas pela imprensa e não conseguem emprego. Assim, entende justo “dar uma ajuda”, pois foram envolvidas por sua causa.

Pano rápido. La Minetti, no momento, atrapalha as pretensões de Berlusconi, que terá dificuldade, apesar da sua antiga carreira artística de cantor em cruzeiros marítimos, para interpretar o papel de assexuado. Afinal, não dá para enganar o tempo todo.


© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet