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Deu zebra e Demóstenes aposta no voto secreto para manter mandato

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 19 de junho de 2012.
Corruptos ... mas em segredo







O senador Demóstenes Torres apostou todas as fichas na prevalência do voto do desembargador Tourinho Neto. Ele era o relator no habeas corpus impetrado pelo advogado Márcio Thomaz Bastos e voltado à anulação de todas as escutas telefônicas realizadas nas operações Monte Carlo e Vegas, além de obter a liberdade para Carlinhos Cachoeira.

Na certeza de que, pelo habeas corpus, tudo viraria pó de traque, o senador Demóstenes Torres, fâmulo de Cachoeira no Senado Federal, pleiteou por meio de mandado de segurança o adiamento do voto do relator no Conselho de Ética. Demóstenes apostava na anulação das provas por habeas corpus e pretendia alegar no Conselho de Ética que o processo por falta de decoro tinha perdido o objetivo em face da inexistência de prova válida de desvios éticos da sua parte.

A liminar, em mandado de segurança, foi concedida pelo ministro Dias Toffoli e o voto do relator no Conselho de Ética fica suspenso por três dias. A propósito, o julgamento no Conselho de Ética é político e não técnico. Ao conceder prazo a Demóstenes e se imiscuir no Regimento Interno do Senado, Toffoli invadiu a atribuição exclusiva de outro Poder republicano.

Mas como ética não é o forte de Dias Toffoli, a sua decisão concessiva de liminar não surpreendeu: Toffoli resiste em se declarar impedido no Mensalão. Fez viagem à Ilha de Capri subsidiado por advogado que lá se casaria. E o advogado tinha causas no Supremo Tribunal Federal.

Como o voto do relator Tourinho Neto não prevaleceu e o habeas corpus foi denegado, deu zebra na manobra de Demóstenes Torres. Em três dias sairá o voto do relator que, pelo que se sabe, opinará pela cassação do mandato, com a Comissão de Ética a enviar o caso ao Plenário para votação da cassação.

Pano rápido. A votação sobre a cassação do mandato de Demóstenes Torres será secreta. A zebra ainda está solta.


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