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Berlusconi pagava proteção à Máfia, conclui Supremo Tribunal italiano

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 25 de abril de 2012.

Fé na Máfia



O ex-premiê Silvio Berlusconi pagava à Máfia, também conhecida por Cosa Nostra siciliana, taxa de proteção: pizzo. A decisão é definitiva. Não se discute mais. A respeito, acaba de ser publicada a motivação dessa decisão da Corte de Cassação da Itália, que na hierarquia Judiciária peninsular corresponde ao nosso Supremo Tribunal Federal.

Pela decisão da Cassação, o senador Marcello Dell'Utri era o intermediário entre Berlusconi e a Máfia. Dell'Utri, já de mala pronta para ir para a cadeia (admitiu em entrevista estar com tudo pronto: “pijama, livros, remédios etc.”), pagou à Cosa Nostra o pizzo (taxa de proteção) de 1977 a 1982.

A Cassação mandou a Corte de Apelação de Palermo motivar melhor o acórdão que condenou Dell'Utri à pena de 7 anos de reclusão. Por isso, a Cassação determinou a suspensão provisória da execução da pena do senador Marcello Dell'Utri. A Corte de Apelação tem de decidir, também, sobre eventual crime continuado, importante para se verificar prazos prescricionais.

Dell'Utri fundou com Berlusconi a coligação partidária Forza Italia, que levou Berlusconi ao poder como primeiro-ministro da Itália por duas vezes. Pela lista da Forza Italia, o “intermediário mafioso” Dell'Utri elegeu-se senador.

O senador Dell'Utri já está definitivamente condenado, conforme motivação da Corte de Cassação que veio à luz hoje, por associar-se à Máfia. Uma associação externa, que, no Brasil, não é contemplada no Código Penal.

A Máfia exigiu, para controlar Berlusconi na região da Lombardia (norte da Itália e com Milão como capital regional), a contratação de Salvatore Magano, um chefe de “famiglia mafiosa” siciliana.

Magano foi designado pela cúpula de governo da Máfia para vigiar Berlusconi, tido como perigoso pela organização criminosa. Magano foi contratado e registrado por Berlusconi como cavalariço, responsável pelo adestramento e cuidados com o plantel de cavalos de raça presentes nos estábulos da berlusconiana e cinematográfica Villa de Arcore.

O detalhe é que na casa de campo de Berlusconi, na pequena cidade de Arcore, não existiam cavalos. Lá, Berlusconi só teve um pônei para a filha, que cresceu e é a atual namorada do jogador brasileiro Alexandre Pato. Na verdade, Salvatore Magano, falecido, tinha a função de vigiar Berlusconi que, à época, já era o homem mais rico da Itália e influente em Milão.

Magano, fora a vigilância, conforme investigações e dados processuais, recebeu a tarefa da cúpula mafiosa de cuidar do tráfico ilegal de drogas na região e fortalecer a presença da Máfia no norte da Itália. Lógico, usava o registro de trabalho na suntuosa Villa para não chamar a atenção da polícia.

Pano rápido. Como Demóstenes Torres, o condenado senador Marcello Dell'Utri atuava em sintonia com a criminalidade organizada.


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