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Um eleitor em cada três não votará nas eleições francesas

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 19 de abril de 2012.
De Roma, especial para Terra Magazine.


Promessa não cumprida



No domingo, dez candidatos disputarão o primeiro turno das eleições presidenciais francesas. Um dado divulgado pela mídia preocupa e incomoda os dois principais candidatos, ou seja, o socialista François Hollande, com 28% de intenção de votos, e Nicolas Sarkozy, que concorre à reeleição e detém 26% dos votos segundo os institutos de pesquisa.
O misto de preocupação e incômodo decorre da elevadíssima abstenção que deverá ocorrer, informam os institutos. Pelo que acaba de ser divulgado, “quase um eleitor em três não irá às urnas”. Como todos sabem, o voto não é obrigatório na França.
O motivo da abstenção está muito claro. É a perda de confiança na classe política, valendo lembrar que os franceses escolherão o presidente e 577 cadeiras na Assembleia Nacional.
Sarkozy, com relação à abstenção, é lembrado como o grande culpado e isso pela promessa feita e não cumprida, em 2007, quando venceu a eleição: “Quem trabalhar mais vai ganhar mais”. O certo é que o porcentual de desocupação é alto e o poder de compra do trabalhador diminuiu. Fora isso, Sarkozy quer aumentar a tributação sobre a renda.
A classe operária acreditou em Sarkozy e na sua promessa de que os trabalhadores ganhariam mais. Hoje trabalham mais e ganham menos. A promessa de maiores ganhos levou 52% da classe operária a votar em Sarkozy no segundo turno da eleição de 2007.
E a socialista Ségolène Royal amargou a perda dos votos dos operários. Agora, a situação é outra. Os operários, mais de 60% segundo a pesquisa, votarão com a esquerda. E no segundo turno, em 6 de maio, Hollande pensa em conseguir os votos direcionados, no primeiro turno, a Mélenchon (16% nas pesquisas), também candidato de esquerda.
Outra decepção dos franceses (42 milhões estão habilitados para votar) e geradora de abstenções é o projeto de lei de iniciativa de Sarkozy voltado a sair da crise financeira que também atinge a França. O referido projeto prevê tributação mais pesada aos franceses com rendimentos anuais superiores a 1 milhão de euros. Só esse projeto de Sarkozy faz lembrar a tal promessa de 2007: “Quem trabalhar mais vai ganhar mais”.
Pano rápido. No momento, Hollande tenta convencer os franceses a comparecerem para votar. Para tanto, ele começou a se apresentar como um candidato com qualidades. Hollande sabe bem que a sua imagem é de candidato que receberá votos apenas porque os franceses querem se livrar de Sarkozy.


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