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Após comícios de ontem, empate técnico na eleição presidencial francesa

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de abril de 2012.


De Roma, especial para Terra Magazine.


Os mais cotados para o segundo turno






Uma coisa é certa na corrida eleitoral para a Presidência da França marcada para domingo, 22 de abril. Haverá segundo turno e disputarão o socialista François Hollande, 58 anos, e o presidente Nicolas Paul Stéphane Sarkozy de Nagy-Bocsa, de 57 anos e no cargo por força da eleição de 2007, quando bateu Ségolène Royal, esposa de Hollande. O segundo turno está agendado para 6 de maio.


Ao todo, concorrem dez candidatos à Presidência. Estão habilitados para votar 42 milhões de cidadãos. Em turno único, 577 cadeiras na Assembléia Nacional serão disputadas no domingo 22.


Depois dos comícios de ontem, as pesquisas apontam Hollande na frente, com 28% de preferências. Sarkozy é o segundo nas pesquisas, com 26%.


O terceiro colocado nas pesquisas é Jean-Luc Mélenchon, da Frente de Esquerda, com 16%. Na quarta posição está o centrista François Bayrou, com 9%. Para “emplacar” no primeiro turno e consoante a legislação francesa, há necessidade de maioria absoluta.


Hollande e Sarkozy buscam os votos dos cidadãos da chamada França silenciosa. Sarkozy, ontem, fez um emblemático comício na parisiense Place de la Concorde. Ele escolheu a praça para sensibilizar. Para isso, começou o seu discurso a lembrar de Curzio Malaparte, na obra Diário de Um Estrangeiro em Paris. Nela, Malaparte diz que a “praça da Concórdia não é uma praça, mas um modo de pensar e tudo que é verdadeiramente francês se mistura ali”.


Sem modéstia, Sarkozy frisou ser o futuro. Aí, pediu aos franceses que o ajudem sem medo, pois, frisou “estar em jogo nossa forma de civilização”. Por evidente, Sarkozy não reservou nenhuma palavra sobre os escândalos que se envolveu. Por exemplo, a acusação de haver, na eleição passada, recebido ilegal e vultoso aporte financeiro da segunda mulher mais rica do mundo, ou seja, da octogenária empresária Liliane Bettencourt, dona da L'Oréal.


Outra acusação grave contra Sarkozy diz respeito à sua declaração de rendimentos. Em 2007, Sarkozy declarou renda de 2.138.116 euros. Neste ano e comparado com 2007, sua fortuna subiu 28%, pulou para 2.740.953. Um prodígio diz a oposição, com base no fato de o presidente ter tido três casamentos, quatro filhos e 6 mil euros mensais de pensões alimentícias pagas aos dependentes.


O candidato de oposição, François Hollande, preferiu fazer o seu comício no bairro de Châteu de Vincennes. E ironizou o boato, espalhado pelo pessoal de Sarkozy e pela ultradireita francesa, de que assustaria o mercado financeiro. Hollande, já magistrado de profissão, disse “que o mercado não se assustará e que o assustado é apenas Sarkozy”. Como palavra de ordem, berrou: “A mudança é agora”.


Sarkozy, que começou a sua carreira como prefeito de Neuilly-sur-Seine e onde já obteve como candidato a presidente 87% dos votos, bem sabe que tudo mudou e que o poder desgasta, como regra. Hollande, como pedra no sapato, carrega a sombra da mulher, que é mais diligente e lhe passou para trás nas prévias das eleições de 2007.


Pano rápido. Os analistas franceses aguardam o resultado do próximo domingo para começar, declarados eventuais apoios de derrotados, as projeções sobre o provável vencedor no segundo turno.


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