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Bicheiros criminosos aguardam costumeiro habeas corpus

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 14/3/2012

Capitão Guimarães.



A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho condenou os conhecidíssimos e habituais exploradores da jogatina ilegal no Rio de Janeiro: Anísio Abraão, Turcão e Capitão Guimarães.


Todos eles são milionários e protegidos, há anos, pela banda podre da polícia do Rio de Janeiro. Essa trinca é bem conhecida da sociedade civil. Não só pela reiteração das suas atividades contravencionais. Também pela reciclagem de capitais lavados em atividades formalmente lícitas e por expandirem a modernização da jogatina, que já virou eletrônica.


Orientado pelo mafioso Antonino Salomone, braço direito de Castor de Andrade, ambos já falecidos, os bicheiros do Rio criaram, como a Cosa Nostra siciliana, um órgão de cúpula, de governo. Esse órgão de vértice é conhecido hoje como Clube Barão de Drummond. O dito barão inventou o jogo do bicho para ajudar na manutenção do Jardim Zoológico de Vila Isabel, criado por ele e sem os subsídios de seu amigo imperador depois da Proclamação da República.


A trinca da cúpula de contraventores é ainda conhecida por nunca ir para a cadeia. Em recentíssima operação policial, marcada pela pirotecnia, Anísio, informado, logrou deixar a residência antes da chegada dos membros da força de ordem. Ou seja, a operação realizada com policiais em helicóptero e descendo com emprego de cordas na suntuosa cobertura de Anísio Abraão deu em nada pela ausência do contraventor. A cobertura, no passado, pertenceu ao empresário e jornalista Roberto Marinho, sem qualquer vínculo, frise-se, com Anísio.


A propósito, os grandes e longevos contraventores do Rio de Janeiro são conhecidíssimos bem antes de 1973, quando a honrada juíza Denise Frossard colocou 14 deles na cadeia. Por pura sorte, Frossard não foi assassinada: um segurança corrompido e com a função de motorista foi incumbido de desviar o veículo oficial e colocar Frossard na frente de um pelotão de fuzilamento.


Apanhados na Operação Hurricane da Polícia Federal em 13 de abril de 2007, os três principais contraventores do Rio acabaram de ser julgados em primeira instância. Eles respondiam o processo em liberdade e, como até as areias de Copacabana e do Icaraí sabem, a trinca processada continuou as atividades ilícitas.


Pela sentença, os contraventores Anísio, Turcão e Capitão Guimarães, e outros 23 envolvidos com a jogatina ilegal, foram responsabilizados também pela prática de diferentes crimes, como formação de quadrilha, corrupção ativa, lavagem e reciclagem de dinheiro de ilicitudes. As penas dos réus da jogatina e crimes conexos passam dos 144 anos.


Durante a ditadura militar, os contraventores tinham a incumbência de realizar os desfiles do carnaval. E a festa era usada, na base do “panis et circenses”, para melhorar a imagem dos militares que se apoderaram do poder. Um dos elos entre bicheiros e militares, durante a ditadura, foi o capitão Guimarães, que percebeu o lucro fácil e virou bicheiro. Como era um arquivo vivo a respeito de prisões e torturas de opositores do regime militar, Guimarães foi, por acordo, para a reserva remunerada e passou a ser caso da polícia e não mais do Exército brasileiro.


Como sempre acontece, o incorrigível Turcão, de 85 anos, está em prisão domiciliar e Anísio, que só tem problemas de saúde quando se cumpre mandado de prisão, está numa clínica médica. Guimarães foi encaminhado ao presídio, mas confia na atuação profissional do advogado Nélio Machado.


Para Nélio Machado, defensor do banqueiro Daniel Dantas e do banqueiro e capitão Guimarães, a prisão era desnecessária e o habeas corpus já foi protocolado. Segundo a jurisprudência, aquele que responde ao processo em liberdade também deve aguardar o julgamento do recurso (ou da prescrição, acrescento) solto. Acontece, no entanto, que os três contraventores que integram a cúpula da jogatina continuam a delinquir. Portanto, será vergonhosa a concessão de habeas corpus.


Só para lembrar, na Operação Hurricane da Polícia Federal foram enquadrados, por venda de sentença em favor da criminalidade organizada, o ministro Paulo Medina do Superior Tribunal de Justiça e o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, que escreveu um livro para se autoproclamar inocente e perseguido.


Medina e Carreira Alvim foram condenados e receberam a sanção mais pesada da Lei Orgânica da Magistratura em processo administrativo, ou seja, premiados com aposentadoria compulsória, sem perda de vencimentos.


Pano rápido. Vamos aguardar que a Justiça negue a liberdade, pois os condenados vivem de práticas ilícitas.


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