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Drogas. Muralha policial em Higienópolis para preservar silêncio de FHC sobre Cracolândia

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 11 de janeiro de 2012.


FHC, morador do bairro de Higienópolis.



No ano passado, o ex-presidente Fenando Henrique Cardoso, –que nos seus dois mandatos presidenciais se submeteu à política norte-americana de guerra às drogas (war on drugs) do seu guru e então presidente Bill Clinton–, virou casaca, ou seja, trocou bandeira.






FHC, em busca de um palanque internacional para poder concorrer com o então presidente Lula, reuniu, — para deitar sabedoria sobre novas políticas sobre o fenômeno representado pelas drogas iícitas no planeta–, antigos presidentes e dirigentes fracassados por adesão à guerra às drogas e submissão aos EUA.



Assim, FHC subiu no palanque adrede preparado e vestiu panos de líder progressista, a encampar, como próprio, antigos posicionamentos antiproibicionistas. Até documentário, para exibição em cinemas e do tipo laudatório, foi preparado, sem se transformar, em campeão de bilheterias.



Dentre a turma dos “vira-casaca”, que usam a desculpa do “nós reconhecemos que erramos e agora vamos mudar”, destacam-se:

–1). César Gaviria, ex-presidente da Colômbia ao tempo dos potentes cartéis de Cali, Medellín e Vale Norte. Gaviria admitiu que Pablo Escobar construísse, com recursos da venda internacional de cocaína, o presídio onde ficaria e poderia sair para passeios e dirigir, do banco de reservas, o seu time de futebol. O povo chamava o presido de “A Catedral”, pois era o santuário de Escobar, com obras de arte nas salas de reuniões do “capo da cocaína” e sistema de segurança para evitar bombardeamento por aviões da norte-americana DEA (Drug Enforcement Administration). Mais ainda, Gaviria fazia vista-grossa para a Tranquilândia, que era o megacomplexo onde Pablo Escobar, chefão do Cartel de Medellín, mantinha o maior centro latino-americano de refino de cocaína: o povo deu o nome de Tranquilândia pois a polícia jamais lá entrava.



–2) Ernesto Zedillo, ex-presidente que decretou a falência do México, provocou uma crise econômica internacional até então sem precedentes e assistiu a indústria mexicana mexicanos das drogas ilícitas obter lucros fabulosos e (3) Kofi Annan, ex-secretário geral da Organização das Nações Unidas, garante da war on drugs nas Nações Unidas e hoje, já aposentado, grande especialista em aquisições de castelos.



–3) Kofi Annan, ex-secretário da Organização das Nações Unidas (ONU) e responsável, quando no poder, pela manutenção do proibicionismo criminalizante convencionado na sede das Nações Unias em 1961: a convenção de Nova York continua em vigor e os estados teocráticos membros da ONU e os EUA são contrários a qualquer tipo de mudanças.



Como o tempo se incumbe de revelar farsantes, o que se promoveu a líder das causas corretas sobre políticas nacionais e internacionais sobre drogas, FHC, mantem-se, passada mais de uma semana, da operação iniciada na Cracolândia, em sepulcral silêncio.



Morador no bairro de Hienópolis, popularmente dividido em Higienópolis de Cima e Higienópolis de Baixo depois da luta pela não instalação de uma estação de metrô e que levaria à circulação de transeuntes indesejados, FHC foi cobrado pelos vizinhos. Afinal, a ação prevalentemente policial no bairro da Luz, onde confinados os toxicodependentes de crack, resultaria na migração para Higienópolis.



FHC, o novel especialista no fenômeno das drogas proibidas pelas convenções da ONU, não se manifestou sobre o denominado Plano de Ação Integrada Centro Legal, concebido pela dupla Alkmin-Kassab, respectivamente governador do estado e prefeito da capital.



Pelo silêncio, nem se sabe ter gostado da deferência do governador de destacar um contingente da Polícia Militar para impedir que dependentes químicos de crack, estimados em 1.664 (400 habitam na Cracolândia), ousem, ainda que assutados pela violência policia, migrar para o “aristocrático” bairro de Higienópolis.



Com tal medida protetiva, FHC, certamente, já vai poder abrir as janelas do seu apartamento, sem risco de assistir cenas motivadoras de um pronunciamento.



Pano Rápido. A meta da operação de Alckmin-Kassab é “limpar” a Cracolândia de “indesejados viciados em crack” , antes admitidos quando interessava a política de confinamento.



O “limpa” vai dispersar os dependentes para novo “pogron” na periferia, já que uma muralha de policiais militares evitará que ingressem nos vizinhos bairros de Higienópolis e Bom Retiro.



–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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