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FARC. Com a morte de Cano, organização insurgente busca um líder diciplinador para os 8 mil guerrilheiros

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 7 de novembro de 2011.


Alfonso Cano, 63 anos e executado em 4 de novembro de 2011.







-1. A verdade sobre a morte de Alfonso Cano, 63 anos e comandante das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia (FARC), talvez nunca seja conhecida. O certo é que Cano, em condições físicas precárias, e o seu grupo de proteção estavam cercados em Cauca bem antes de sexta-feira, quando teria ocorrido o confronto e a sua morte. >



Uma das versões em circulação fala em delação de membros da própria organização insurgentea. Como se sabe, Cano, depois da morte em março 2008 do fundador e comandante Manuel Marulanda Vélez (apelidado Tirofijo), sofreu resistência à aprovação do seu nome como sucessor.>



O descontentamento da base era bem conhecida e Cano não conseguia disciplinar e controlar os grupos que realizavam o tráfico de cocaína e de maconha. Desde a morte de Mono Jojoy (setembro de 2010) as arrecadações não chegam as cofres da cúpula de governo. Muitos guerrilheiros associaram-se a narcotraficantes e atuam sem dar satisfação aos comandantes das frentes armadas. >



Desde o fim da União Soviética e a quebra econômica de Cuba, as FARC precisaram buscar fontes de financiamentos criminosas: tráfico de drogas, seqüestros para fim de extorsão, roubo de gado, exigência de pagamento de “taxa” da vacina de gado, “imposto” sobre as áreas de cultivo de coca e sobre a circulação da cocaína, etc. Ao contrário de Marulanda, Cano nunca foi unanimidade. Seu desgaste começou quando, pela cúpula de governo das FARC e não pelas bases (cerca de 8 mil guerrilheiros) foi proclamado chefe do movimento.>



Cano era um intelectual. O seu nome verdadeiro era Guilermo Léon Sáenz . Antes de ingressar nas FARC, foi professor universitário de antropologia. Nas FARC, era o ideólogo encarregado da formação teórica dos guerrilheiros. Em 1992, foi designado, sem sucesso, como “embaixador das FARC” para tratar, no México, de um acordo de paz com o governo.>



Desde que assumiu o comando em 2008 e para as bases guerrilheiras e frentes combatentes, Cano era considerado como uma pessoa que preferia os livros à batalha. Quando da morte de Marulanda e escolha do sucessor, o opositor de Cano era Mono Jojoy, - uma espécie de ministro da guerra das FARC.>



Diante desse quadro de indisciplina e legitimação contestada, Cano estava isolado e, portanto, bem possível ter havido deleção.>



A segunda versão, --ao contrário da primeira que se refere à delação e ao bombardeamento, por terra e ar, de uma área determinada de Cauca--, sustenta encontro casual. Ou seja, um grupo de soldados do Exército suspeitou,, sem imaginar que Cano lá estivesse, de uma movimentação d guerrilheiros. Houve troca de tiros e Cano teria sido abatido e morto quando fugia. Essa segunda versão, por evidente, preserva, na organização eversiva, os delatores.>



--2. Cano não era apenas o “professor da guerrilha”. Ele tinha sangue nas mãos, pois mandou matar, por indisciplina, 40 guerrilheiros. A indisciplina marcou o governo de Cano nas FARC. >



Com a morte natural de Marulanda e as elimiações de Rául Reyes, Mono Jojoy e Alfonso Cano, nenhum nome de destaque sobrou. Os especialistas falam que o novo líder será um jovem e que um acordo de paz vai ser possível.>

--Wálter Fanganiello Maierovitch


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