São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Acordo Israel-Hamas serve só para melhorar imagem de lideranças desgastadas e reduzir o brilho de Abu Mazen

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 17 de outubro de 2011.


Cabo Jilad Shalit





O premiê israelense Benjamim Netanyahu e líderes do Hamas que controlam a Faixa de Gaza necessitavam, com urgência, de um novo fato político para tirar o foco de desgastes recém-experimentados.>


Na última Assembleia especial das Nações Unidas, o presidente Abu Mazen conquistou uma grande vitória ao desmoralizar o presidente norte-americano, Barack Obama, e ao colocar a carta-pedido para reconhecimento e inclusão do Estado Palestino no Conselho de Segurança da ONU.>


Nessa ocasião, não poderia ter sido pior a resposta de Israel, que tem um primeiro-ministro que depende de fundamentalistas radicais para se manter na chefia do governo. Dentre eles, o ministro de Relações Exteriores, um trapalhão de amplo espectro.>


Netanyahu, apelidado Bibi, respondeu ao sucesso diplomático de Abu Mazen na ONU com autorização para novos assentamentos em área fora dos limites de Israel em 1967, ou seja, antes da Guerra dos Seis Dias.>


Como sabem até as placas da rua José Paulino (ex-reduto comercial da colônia judaica em São Paulo), nunca haverá encontros para se tratar de pacificação com áreas não pertencentes a Israel sendo ocupadas para novos assentamentos de colonos judeus.>


Na Faixa de Gaza existe grande insatisfação com o aumento do radicalismo religioso, a ponto de se mandar fechar salões de beleza para mulheres. Até células ligadas a Al-Qaeda de matriz sunita wahabita pressionam o Hamas e contestam o vínculo com o Irã xiita. Muitos em Gaza discordam da postura bélica do Hamas e sabem que os seus líderes vivem na Síria e tramam, por baixo do pano, o fim da influência alawita e a queda do presidente Bashar al Assad, que sucedeu, apelidado de Leão de Damasco, ao pai e está no poder desde junho de 2000.>


Em resumo, tanto Netanyahu quanto o Hamas precisavam de um fato novo e, internamente, visto vitorioso pelos cidadãos. E foi ai que entrou o cabo israelense Gilad Shalid, de 25 anos, capturado em 25 de junho de 2005 em território israelense, Kerem Shalon, e sob custódia do Hamas.>


No acordo, Israel não estará apenas liberando mil prisioneiros. Dentre eles haverá um “peixe grande”, ou seja, Marwan Barghouti, condenado pela Justiça de Israel à prisão perpétua em cinco processos. Outro nome de respeito na Faixa de Gaza e que será libertado é Ahmed Saadat, um dos incentivadores da última intifada.>


Barghouti goza de grande prestígio em Gaza e poderá, na grande festa de libertação de prisioneiros, sair como candidato de oposição a Abu Mazen. Mais uma vez, Israel vai apostar na divisão interna entre os palestinos, com Abu Mzaen e Marwan Barghouti em lados opostos.>


Do lado israelense, Netanyahu aposta na fatura liberação de Gliad Shalit e de modo a apagar o insucesso colhido na referida Assembleia das Nações Unidas.>


O acordo celebrado entre Israel e Hamas será cumprido em duas etapas. Na primeira, Israel entregará 450 palestinos e receberá o cabo Gilad Shalit.>


PANO RÁPIDO. O acordo, infelizmente, não representa nada em termos de pacificação. Apenas um fato novo para melhorar as destruídas imagens de Netanyahu e do Hamas.

Wálter Fanganiello Maierovitch


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet