São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Irã. Cópias piratas se espalham depois da condenação da atriz Vafamehr a 90 chibatadas e um ano de cárcere

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 11 de outubro de 2011.





A atriz iraniana Marzieh Vafamehr foi condenada às penas de 365 dias de prisão e 90 chibatadas.


Marzieh Vafamehr não teve a mesma sorte da atriz Golshifeth Farahani que conseguiu, depois de condenada a seis anos de cárcere e uma centena de chibatadas, deixar Teerã e fugir para Paris.


Desde julho, Marzieh Vafamehr está presa e só pode se comunicar com o advogado, -- que disse que apelará da sentença--, e um familiar.


Para difundir o medo e humilhar o condenado e os seus familiares, as chibatadas são públicas. Mais ainda, o carrasco golpeia com força. No domingo passado, um estudante de direito foi tirado da cela do temido presídio de Evin (Teerã) e, em praça pública, recebeu 70 chicotadas. Ficou horas no local, pois não conseguia andar depois de golpeado. Um efeito não esperado da condenação de Marzieh Vafamehr surpreendeu o presidente Marmud Ahmadinejad e o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. É que uma avalanche de filmes piratas circula pelo Irã e a guarda xiita que reprime atos contra a moral e os bons costumes não consegue realizar as apreensões.


Cópias piratas, segundo analistas de inteligência do Ocidente, poderão penetrar por todo mundo árabe e tentar que já sentiu a força da Primavera Árabe.


O filme estrelado por Marzieh Vafamehr começa com a polícia de costumes a invadir o apartamento onde se realiza uma festa e surpreende homens e mulheres a dançar. Um dos policiais berra às jovens: “ Vocês pensam que estão na Europa? Se cubram, já”. Logo depois, determinam que os homens se afastem das mulheres.


Com a exibição proibida em todo o Irã, o filme leva o título de “My Teheran for sale” (Minha Teerã em saldo, venda). Ele conta a história de uma jovem que, depois de ver o teatro fechado pela polícia dos costumes, passa a viver na clandestinidade para poder se expressar artisticamente.


Pano Rápido. Os obscurantistas responsáveis pelo teocrático estado iraniano continuam a perseguir os artistas e todos que descumprem as proibições como, por exemplo, ingerir bebidas alcoólicas. E usuários de drogas proibidas são dados, muitas vezes, como traficantes e enforcados publicamente.


Poucos dias atrás, a Anistia Internacional soltou nota contra a prisão de seis documentaristas iranianos: “As autoridades iranianas irritam-se contra a cinematografia”. Os documentaristas são acusados de denegrir a imagem do Irã dos aiatolás.

-- Wálter Fanganiello Maierovitch--


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet