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Terrorismo. No Iêmen, a morte do alqaedista do YouTube e do Facebook. Na operação, Obama recebeu apoio do ditador Saleh

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 01 de outubro de 2011.





A eliminação do terrorista do YouTube reaproximou ditador do Yemen aos EUA.



Como já escrevi diversas vezes neste espaço, o cyberterror foi o caminho trilhado pela Al Qaeda quando as suas fontes de financiamento começaram a se esgotar.



Pela rede telemática, a cúpula alqaedista, ---com Osama Bin Laden ainda vivo e Al Zawahiri procurado incessantemente---, difundiu a regra do “faça você mesmo a luta, independentemente do nosso sinal verde e apoio financeiro”. Os ataques ao metrô de Londres representaram o primeiro grande êxito alqaedista do “faça você mesmo a luta”.



Ontem, numa ação da Cia, ---com aval do presidente Saleh (acabou de retornar ao Iêmen e reassumir o cargo) e acompanhamento dócil de agentes de inteligência do Iêmen---, o principal articulador visível do cyberterrorismo alqaedista, Anwar al Awlaki (40 anos de idade), foi alvo de um míssel certeiro e faleceu.



Awlaki estava na companhia de Samir Khan, responsável pelo conteúdo da propaganda alqaedista pelos mais de 400 sites disseminadores. Foram mortos, também, outros quatro auxiliares do grupo de Samir Khan.



Chamado de “imam do You Tube”, o eliminado Anwar al Awlaki usava as infovias da web para recrutar islâmicos. Faruk Abdulmutalleb, descoberto com bombas na cueca quando do falido atentado de 28 de dezembro de 2009 no vôo da Northwest, havia conhecido Awlaki pelo You Tube e dele se aproximado. Outro que se ligou a Anwar por internet foi o major Nidal Malik Hasan, autor do surpreendente ataque no interior da base do exército dos EUA no Texas, em 5 de novembro de 2009.



Awlaki nasceu nos EUA, no Novo México. Os seus genitores eram do Iêmen. Na Al Qaeda passou a ter papel relevante no início de 2001. Além de predicador, atuou como coletor de fundos, estrategista de ataques e seu último posto foi na internet. Competia-lhe, também, arregimentar jovens e estabelecer canais de comunicação entre a velha e a nova geração de jihadistas alqaedistas.



Em 2004, Awlaki deixou os EUA e passou a viver na clandestinidade.



Para os 007 da CIA e referentemente ao trágico 11 de setembro de 2001, Anwar mantinha contatos com Nawaf al Hazmi e Khalid al Midhar, que morreram no ataque às torres Gêmeas de Nova York.



Para o presidente Obama, a morte de Anwar Awlaki representou na pedra angular nos esforços para eliminar a Al Qaeda. As críticas que está a receber e referentemente a invasão, com aviões sem-piloto ( drone), de espaço aérea de outros países, já estão sendo respondidas. No caso de Anwar al Awlaki havia autorização do presidente Saleh. O ditador que Obama, quando da Primavera Árabe, afirmou que deveria deixar o poder.



Pano Rápido. A operação que liquidou o “imam do YouTube” teve um foco geopolítico. O presidente Saleh, que fugiu queimado do Iêmen quando da Primavera Árabe e acaba de retornar ao país, teve importante papel colaborativo. Com isso, tentou mostrar ao pressiente Barack Obama que seria bom dar uma força para mantê-lo no poder.



--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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