São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Berlusconi admite usar método mafioso e nega mensalão.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 22 de setembro de 2011.


Berlusconi, tutte le donne.




O premiê italiano Silvio Berlusconi continua a protagonizar, diariamente, tragicomédias e parece gostar de praticar o esporte consistente em manter a água próxima às narinas, com risco iminente de naufragar politicamente e de se afogar judicialmente.



No momento, Berlusconi é investigado pela magistratura do Ministério Público italiano como vítima de extorsão financeira.



Mas Berlusconi não é uma pobre vítima de um casal de extorsionistas que ameaçam com fotografias, filmagens, gravações, negociatas secretas e relatos de garotas de programas, menores e maiores de idade, usuárias ou não de drogas que teriam sido disponibilizadas em noitadas de bunga-bunga.



O primeiro-ministro italiano, pelo apontado nas apurações, é, à luz do direito penal, uma vítima sui generis, pois rica e generosa na proteção aos extorsionistas. Mais ainda, Berlusconi apresenta-se com um semblante que possui a dureza dos mármores das ruínas das Termas de Caracala, construída entre 212 e 217 dC.



Berlusconi nega ter sido vítima de extorsão do casal encarregado por ele de arregimentar as “escorts girls” e organizar as orgias no palácio que serve de residência oficial do primeiro-ministro (Palazzo Grazioli) e nas cinematográficas ville da sua propriedade, em Certosa (Lombardia) e na Sardenha.



A propósito, o casal Gianpaolo e Nicla Tarantini usavam até o avião reservado ao premiê e pago, evidentemente, pelo Estado italiano.



As investigações mostram que Tarantini virou, ao tempo das festas, um privilegiado interlocutor e, também, intermediário de empresários em busca de favores junto ao primeiro-ministro, que é o chefe de governo e preside o Conselho de Ministros.



Em razão dos escândalos, as festas foram suspensas e o casal Tarantini passou a receber um “mensalão” de Berlusconi, sem causa para tanto. O “mensalão” de Nicla Tarantini era de 5 mil euros. Seu marido, Giampaolo, recebia regulares “boladas”, mas era enganado por Valter Lavitola, que passa parte do tempo no Brasil.



O dinheiro era encaminhado a Giampaolo por Valter Lavitola, um jornalista dedicado a acompanhar Berlusconi em viagens.



Só que Valter Lavitola ficava com a maior parte do dinheiro destinado pelo premiê a Giampaolo, que pensava que Berlusconi realizava glosas.



Berlusconi continua a insistir na tese de que dava dinheiro a Gianpaolo e a Nicla por saber que se encontravam em precária situação financeira, fato claramente desmentido pelo padrão de vida ostentado por ambos: Gianpaolo está preso em cárcere napolitano e Nicla em prisão domiciliar.



Quanto a Valter Lavitola, encontra-se foragido na Bulgária e teve conversa telefônica gravada com o premiê. Na conversa, Berlusconi aconselhou Lavitola a permanecer na Bulgária por um bom tempo e até que a investigação fosse concluída. Berlusconi disse para Lavitola continuar no gozo de férias. Na conversa, Lavitola usou uma linha telefônica pré-paga do sistema búlgaro.



Hoje os jornais italianos informam que Silvio Berlusconi havia recebido, há tempos, três celulares búlgaros para falar com Lavitola, mesmo com ambos na Itália.



Os jornais de hoje contam a reação de Berlusconi ao receber os três celulares búlgaros: “Mas, veja bem. Essas coisas fazem os mafiosos”.



Como ficou na posse dos três celulares e se comunicava por eles com Lavitola, na Itália e fora dela, Berlusconi passou a usar um método mafioso. Método bem conhecido por ele, que teve, disfarçado de treinador de cavalos, um administrador que era chefe mafioso na sua vila em Certosa. Nas horas vagas, o mafioso travestido de cavalariço traficava drogas e fazia reuniões com outros mafiosos para cuidar da lavagem de dinheiro da Cosa Nostra no norte da Itália, em especial na Milão de Berlusconi.

Wálter Fanganiello Maierovitch


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet