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Palestina. Abu Mazen sairá como grande vencedor da Assembléia da ONU.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 22 de setembro de 2011.
Abu Mazen.



Até agora, Mahmoud Abbas, também conhecido por Abu Mazen, acertou em cheio na estratégia escolhida e colocada em prática na anual Assembléia Geral que se realiza no Palácio de Vidro que abriga, em Nova York, a sede das Nações Unidas.



Sua estratégia está apoiada em muitas verdades que servem para colocar em segundo plano as divergências entre os palestinos. Por exemplo, Israel continua a avançar em terras palestinas e implanta, descaradamente, assentamentos com o objetivo de tornar irreversível a reintegração. Por outro lado, Barack Obama, no mesmo auditório onde transcorre a Assembléia, fez promessa, com prazo certo, que não cumpriu. Ou seja, Obama prometeu, no prazo máximo de um ano e a contar da data da Assembléia Geral de 2010, a criação de um Estado palestino. O prazo venceu e nada.



O presidente Abbas chegou a Nova York avisando que iria postular, perante as Nações Unidas e o seu Conselho de Segurança, o reconhecimento do Estado palestino.



Com essa estratégia, encapsulou o chamado “quarteto” de resistência: EUA, União Européia, Rússia e China. Também pressionou o governo do premier Benjamin Netanyahu que, para se manter no poder, virou marionete nas mãos do ministro de relações Exteriores, o ultradireitista e radical Avigdor Lieberman. Lieberman, apelidado de Yvette, é líder da comunidade de judeus russos residentes em Israel e preside o partido Israel Beitenu (Israel nossa casa) que detém 10% das cadeiras do Parlamento. Como mantém aliança com os ortodoxos do Shas e parte dos trabalhistas, controla o Knesset (Parlamento).



O presidente Barack Obama, --que depende para se reeleger do apoio dos magnatas norte-americanos pró Israel e sente os republicanos proclamarem a “falência” da sua política externa em face do insucesso na pacificação do Oriente Médio--, usou a tribuna das Nações Unidas como tábua de salvação. Evidentemente, não convenceu ao sustentar que não adianta um reconhecimento apenas formal da ONU, mas um acordo bilateral e duradouro entre palestinos e israelenses.



Em socorro a Obama despontou o presidente francês Nicolas Sarkozy, outro em busca de reeleição e de uma liderança mundial que tanto agradaria os presunçosos franceses. O direitista Sarkozy namora politicamente com a “gauche caviar” e colocou Bernard Henri Lévi (representante máximo da “gauche caviar”) para comandar a invasão da Líbia e a derrubada do tirano Muammar Kadafi.



A proposta francesa vai, em parte, ser utilizada pelo presidente da Autoridade Palestina. Pela radio-corredor do Palácio de Vidro, Abu Mazen vai insistir no reconhecimento do Estado palestino, mas sem prazo certo para a deliberação. Enquanto isso, colherá o reconhecimento do “status” de observador, igual à Santa Sé.



Pano Rápido. Caso consiga o “status” para os palestinos de Autoridade observadora especial na ONU e logre colocar em tramitação o pedido de reconhecimento sem prazo certo para deliberação, Abu Mazen sairá como o grande vencedor nesta Assembléia. E , como todos sabem, Abu Mazen tem problemas com o Hamas, corrupção no seu Fath e uma Assembléia que não foi consultada sobre as propostas que seiam apresentadas à ONU.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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