São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Drogas. Presidente mexicano fala em legalização como solução.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 20 de setembro de 2011.





Felipe Calderon, sob odor de fraude, assumiu a presidência do México no dia 1 de dezembro de 2006.



À época, as pesquisas e o boca- de-urna apontavam vitória de López Obrador, já prefeito da capital e candidato da esquerda progressista.



Para tentar mudar esse quadro de desconfiança e aplacar a ira da oposição que falava em ilegitimidade do mandato, Calderon, com apoio do então presidente norte-americano George W.Bush, anunciou, no mesmo 1 de dezembro de 2006, o início da “war on drugs” e, consequentemente, aos cartéis que as ofertavam dentro e fora do México.



Como a polícia mexicana estava quase toda corrompida pelos chefões dos cartéis, Calderon convocou o Exército e chegou até a desarmar a polícia.



Como num passe de mágica, os mexicanos, na sua grande maioria, apoiaram Calderon e esqueceram as fraudes eleitorais. Ninguém, na história mexicana, havia conseguido, em dias, transformar-se de suspeito de fraude em presidente legitimado popularmente. As maiores preocupações dos mexicanos, consoante pesquisa pré-eleitoral, eram a violência e as drogas ilegais.



A elevada popularidade de Calderon, no entanto, despencou dois anos depois, ou seja, quando civis inocentes viraram as principais vítimas da “war on drugs” de matriz norte-americana e importada por Calderon.



O primeiro grande fracasso de Calderon foi o Plan Mérida, desenhado pela CIA e DEA (agências norte-americana de espionagenas política e de drogas) e executado com dinheiro disponibilizado por George W.Bush.



No momento, com a aventura da “war on drugas”, o México contabiliza 42.000 mortes e mais de 70% das vítimas são de civis, sem ligações com o narcotráfico. Cerca de 50% não possuía registro criminal e os outros 20% nenhum antecedente criminal relacionado com as drogas proibidas.



A popularidade de Calderon despencou e a aprovação ao seu governo passou a ser uma das piores da história do seu país. Em resumo, Calderon ainda pensa se sairá candidato à reeleição. No momento, ele sabe que não conseguiria se eleger síndico de prédio.



Hoje, em Nova York onde se encontra para participar da Assembléia Geral das Nações Unidas, Calderon disse que a legalização será a saída para desfalcar e acabar com os cartéis de drogas: - “Vivemos no mesmo edifício. Mas, o nosso vizinho (referência aos EUA) e o maior consumidor mundial de drogas. E todos podem ver a droga passando por meio das nossas janelas”, disse Calderon em discurso na Américas Society of New York”.



Em busca de um culpado para apresentar aos eleitores mexicanos, Calderon aponta os EUA como a origem do problema. Para isso, usa o velho discurso, --já usado pelo então governador Antony Garotinho no Rio de Janeiro--, de que sem consumo não há oferta. Esse truísmo pode ser completado “com o sem oferta não haveria consumo”. Mais, sem insumos químicos não ocorreria a transformação da folha de coca em cloridrato de cocaína (pó).



Ao falar que o México poderá legalizar a droga para enfraquecer a criminalidade organizada, Calderon esqueceu de explicar como será o seu projeto de legalização.



Pano Rápido. Para Calderon e depois de quase cinco anos de guerra, mortes e descrédito do Exército, a legalização é a tábua de salvação na busca de um segundo mandato.



No Brasil, Fernando Henrique Cardoso, que no poder foi adepto do modelo norte-americano de repressão ao consumidor, trocou discurso depois da reeleição de Lula e em busca de um palanque internacional.



Com efeito, essa gente pé capaz de tudo para enganar os eleitores.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet