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Assassinato da juíza Acioli. Policia militar precsia ser passada a limpo e presidente do Tribunal volta à tese escapista

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 13 de setembro de 2011.


juíza Patrícia Acioli, assassinada em 11 de agosto de 2011.



O assassinato da juíza mostra a necessidade de se passar a limpo a polícia militar do Rio.



Segundo as investigações conduzidas pela polícia judiciária (polícia civil), um tenente e dois cabos da Polícia Militar do Rio de Janeiro assassinaram, com 21 tiros saídos de armas de calibres 40, 38,45, a juíza Patrícia Acioli.



O tenente se chama Daniel Santos Benitez Lopes e está lotado no Batalhão de São Gonçalo, onde a juíza Patrícia era titular da 4ª.Vara Criminal. Os cabos acusados de co-autoria são Sérgio da Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda .



O móvel do crime teria sido evitar uma iminente decretação de prisão preventiva ( transformação de provisória em preventiva) em autos de inquérito sobre o assassinato, na favela Salgueiro (São Gonçalo), de Diego Beline, de 18 anos e irmão de um traficante local de drogas proibidas.



Os policiais teriam matado Diego e forjado uma ocorrência como tendo sido morte decorrente de resistência à atuação das forças de ordem: ao lado do corpo de Diego, que estava desarmado e não reagira, os policiais colocaram um revólver.



Como todos sabem, a juíza Patrícia era rigorosa no exame das ações policiais com resultado morte e impunha prisões a membros de grupos de extermínio, com ou seu farda. Quando do seu assassinato, ela já havia decretado as suas prisões cautelares e os três policiais não sabiam.



Dos três policiais, o tenente Daniel e o cabo Sérgio portavam, disciplinar e corporativamente, “fichas sujas”. O cabo Sérgio responde a nove processos por crimes de homicídio, consoante revela o jornal O Globo. Apesar disso, continuava a trabalhar nas ruas e armado.



O assassinato foi planejado e os policiais, no dia fatídico, desligaram os celulares para evitar rastreamentos futuros. Com um veículo policial sem localizador (“GPS”) e na fase preparatória, os três estiveram defronte a residência da juíza. Isto um mês antes da consumação.



Esse quadro mostra como são selecionados e acompanhados (fiscalizados) os membros, oficiais e praças, da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro.



A mídia infinitas vezes mostrou a polícia-bandida do Rio. Mais ainda, ser comum a quebra da hierarquia e a disciplina militar. Com efeito, além da banda-podre existem os policiais violentos, deseducados à legalidade e prontos a executar justiça de mão própria. Vale lembrar que muitos policiais do serviço ativo estão envolvidos e dão suporte às milícias que controlam territórios e moradores em diferentes pontos da cidade e do estado.



Enquanto não for “passada a limpo” a polícia militar do Rio de Janeiro, corre-se o risco das unidades pacificadores tornaram-se, novamente, locais onde vigorará a lei da bandidagem, com ou sem farda. A propósito, no “post” de ontem tratamos do “mensalão” (pagos por traficantes de drogas) recebido por cerca de 30 policiais em atividade funcional na UPP de Santa Teresa.



Para rematar esse quadro dantesco, o despreparado presidente do Tribunal de Justiça, Manoel Alberto Rebelo dos Santos, soltou a seguinte pérola: “Se a juíza estivesse sendo acompanhada de uma escolta, o crime seria cometido. Não faria diferença. A escolta previne, mas não impede”.



Na verdade, o presidente Manoel quis justificar, -- e perdeu grande oportunidade de ficar calado--, o descaso para com a juíza, que solicitou, inúmeras vezes, escolta à cúpula de governo do Judiciário.


Walter Fanganiello Maierovitch


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