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Crime Organizado. Abalada financeiramente, associação delinquencial vai à guerra para tentar retomar complexo do Alemão

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 07 de setembro de 2011.


retomada do complexo do Alemão: novembro de 2010.



Não precisa ser especialista para concluir que a organização pré-mafiosa expulsa do complexo do Alemão em novembro do ano passado iria migrar para depois tentar voltar.



Desde domingo, criminosos armados tentam, com recursos bélicos, retomar o complexo do Alemão e enfrentam os soldados do Exército que lá se encontram para garantir a retomada e o funcionamento da Unidade Pacificadora em implantação.



Durante anos, o crime organizado não só manteve o controle do território do Complexo do Alemão. Também logrou obter o controle social e todos os moradores sabiam que a lei vigente era a imposta pela associação delinquencial e não a do estado nacional.



Por outro lado, os moradores acostumaram-se com uma certa permissividade e a não se incomodar com agentes municipais e estaduais. Assim, uma das tarefas da UPP (Unidade de polícia pacificadora) será a de ressocializar e promover uma cultura da legalidade democrática. Nesse contexto, não soa estranha a manifestação de alguns moradores contra a presença de soldados do Exército. E as manifestações engrossaram em face de desvios abusivos por parte de soldados. Para o comandante da Força de Pacificação, general César Leme, traficantes podem estar incitando os moradores.



Os membros da organização criminosa que agora atacam para se restabelecer no Complexo do Alemão sentem que foram grandes os prejuízos econômico financeiros da estratégia que usaram e que resultou na reformulação do projeto governamental e imediata instalação, com auxílio das Forças Armadas, de uma UPP no Alemão: a instalação da UPP do Alemão não estava programada para 2010. A antecipação da operação de reconquista do Alemão pelo Estado deveu-se à guerra de guerrilha iniciada pela organização criminosa que controlava o Alemão: queimas de ônibus e veículos em vários pontos do Rio de Janeiro. Os chefões da bandidagem perceberam que as implantações das UPPs progrediam, depois do estabelecimento da primeira no morro Dona Marta (Botafogo), em 2008.



Com a expulsão dos criminosos, --sem derramamento de sangue e mostrado a fuga medrosa e com os rabos entre as pernas dos que se proclamavam dono do território--, a oferta e venda de drogas proibidas despencou.



O tráfico de drogas não funciona no mesmo esquema de antes da ocupação e os consumidores vindos de fora sumira. Os traficantes perderam os antigos pontos chamados por eles de “boca de fumo” e alguns, tentam, por interpostos moradores, corromper policiais e manter alguns ganhos com a venda de drogas proibidas.



No Complexo do Alemão, o crime organizado, no que diz respeito ao tráfico, vive uma crise econômico-financeira. O “pib” criminal caiu por falta de receita e os antigos “donos” do Alemão estão mais quebrados do que a Grécia.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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