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Drogas. Presidente do Peru determina erradicações de folha de coca e teme que o país volte a ser considerado narcoestado.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 22 de agosto de 2011.


campo de plantio de coca.



O Plan Colômbia foi imposto pelo então governo Bush júnior ao presidente colombiano Andrés Pastrana.



Álvaro Uribe, sucessor de Pastrana, agarrou-se com unhas e dentes ao Plan Colômbia cujo carro-chefe era a erradicação das áreas de plantio mediante o despejo, por avião, do herbicida conhecido por glifosato, produzido pela muldinacional Monsanto.



Uma empresa de segurança privada norte-americana, Dyn Corpo, foi contratada a peso de ouro para os derrames e estes produziram danos ambientais de monta.



Num primeiro momento, as áreas de plantio de coca migraram para as reservas ecológicas colombianas como, por exemplo , ao parque nacional de Macarena. Diante disso, Uribe contratou civis para atuarem como guardas florestais e com função de erradicar manualmente os plantios.



Enquanto os agentes florestais atuavam, o crime organizado promoveu uma segunda migração. Isto para a Amazônia colombiana, com aberturas de clareiras na selva. Como o transporte encareceu, as áreas de plantio deslocaram-se para o vizinho Peru.



Hoje as maiores áreas de cultivo de coca estão no Peru, que retomou a posição de maior produtor mundial. Por cálculos baseados em fotografias de satélite, a área de plantio peruana atinge 61 mil hectares.



O recém-empossado presidente Ollanta Humala, preocupado com as vastas áreas de plantio da resistente coca do tipo tingomaria, acabou de anunciar um plano de erradicação. Avisou que em 2011 foram erradicados 4 mil hectares e até o final do ano se chegará a 6 mil hectares.



De lembrar que em abril de 2006 o então presidente peruano Allan Garcia, por decreto, autorizou erradicações manuais e o emprego de aviões de combate militar para atacar e destruir, na selva amazônica, laboratórios clandestinos de refino e produção de cloridrato de cocaína.



Desse decreto de Garcia constou autorização para bombardeamento de pistas clandestinas, utilizada por narcotraficantes para a decolagem, em locais remotos, de pequenas aeronaves. À época de Garcia, o Peru contava com 50 mil hectares de coca.



O decreto de Garcia não resistiu à reação dos cartéis peruanos que passaram a atacar os soldados e policias empregados na erradicação.



O presidente Ollanta Humala teme que os cartéis transformem o Peru num México. Ao tempo da ditadura Fujimori-Montesinos, o Peru virou um narco-Estado. Montesinos, ministro-chefe da inteligência do governo Fujimori, comandou, a pretexto de combater o Sendero Luminoso, o tráfico de drogas. Hoje, Fujimori e Montesinos cumprem pena de prisão.



Montesinos já havia sido oficial do Exército peruano. Por ter se tornado colaborador da CIA norte-americano acabou expulso do Exército por decisão de uma Corte Militar.



Com a eleição de Fujimori, Montesinos foi cuidar da inteligência, como ministro. Tinha, por evidente, o dedo da CIA na escolha. Esta queria acabar com a guerrilha. Mas Montesinos caiu em desgraça com a CIA. O motivo é que começou a vender armas para as Farc.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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