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Guerrilha urbana na Inglaterra. Confrontos e primeira vítima fatal

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 09 de agosto de 2011.





O premier britânico, David Cameron, suspendeu as férias que gozava na Toscana e retornou ao trabalho. Isto depois de ter sido informado que a rebelião ocorrida no sábado passado no bairro periférico de Tottenhan havia se espalhado para os de Brixton, Peckhan, Islington, Hackney, Lewisham, Oxford Circus e King’s Road.


Para especialistas em segurança pública, a revolta virou guerrilha ao envolver pessoas e gangues de diferentes estratos sociais. Em outras cidades britânicas também ocorreram tumultos a partir do entardecer da última segunda-feira (8): Birmingham, Liverpool, Manchester e Bristol.


Cameron acabou de anunciar a primeira vítima fatal dessa revolta descontrolada. Ou seja, reconheceu a morte de um jovem de 26 anos, encontrado dentro de um automóvel no subúrbio londrino de Croydon, onde houve saques e depredações.


A repetir frase do então ministro do interior francês Nicolas Sarkozy, em 2005, diante da revolta que se alastrou pela França, o premier britânico Cameron disse que conterá os “fora da lei” com punho de ferro.


Cameron anunciou que 16 mil policiais estarão nas ruas da capital, enquanto o responsável pela Scotland Yard, Steve Kavanagh, informou aos repórteres do jornal Guardian, que, se necessário, os policiais usarão projéteis de borracha na repressão pela primeira vez. Essa medida só foi usada antes na Irlanda do Norte.


Em razão dos tumultos, foi suspensa a partida de futebol amistosa entre Inglaterra e Holanda. O jogo das seleções estava programado para esta quarta-feira (9). A partida entre o Charlton e o Crystal Place, pelo campeonato da Liga Britânica, restou adiado sine die.


Segundo as autoridades, a presença de policiais nas ruas inibirá as ações de gangues que se mobilizam especialmente por smartphones BlackBerry.


Nos anos 80, os londrinos assistiram duas grandes revoltas populares. Em 1985, o protesto em Brixton migrou para Tottenham em razão de a polícia haver matado uma mulher da comunidade caribenha. No ano de 1981, os habitantes de Brixton enfrentaram a polícia, depois de incendiarem 28 prédios e uma centena de veículos automotores. Do enfrentamento, 299 policiais saíram gravemente feridos.


Pano Rápido


A polícia britânica, basta lembrar do despreparo e da covardia com o brasileiro Jean Charles de Menezes, é violenta e despreparada.


Na quinta-feira da semana passada matou, em circunstâncias ainda não reveladas oficialmente, o jovem Mark Duggan, de 29 anos e quatro filhos.


Segundo os vizinhos de Duggan do bairro de Totteham, ele era filho de imigrantes e não era violento. Apenas no sábado, quando ocorreu protesto de familiares e amigos no departamento de polícia, é que se informou sobre a morte de Duggan, ou seja, a polícia escondeu o fato da família.


Não há dúvida que as causas da revolta são diversas, mas a gota d’água foi a violência policial no caso Duggan.


Cortes nos programas sociais, desemprego galopante e falta de segurança são componentes dessa “intifada” na periferia pobre de Londres.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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