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Direitos Humanos. Discurso descalibrado de Hillary Clinton aumenta a tensão e joga Síria no colo do Irã

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 12 de julho de 2011.


Hillary Clinton, chefe da diplomacia americana.



Os recentíssimos ataques às embaixadas da França e dos EUA em Damasco eram esperados por Paris e Washington.



Como se sabe, os 007 franceses e da CIA informaram que o ditador Bashar al-Assad tinha ficado enfurecido e iria “dar o troco” à provocação protagonizada pelos embaixadores francês e norte-americano.



O ditador sírio fora provocado pela ilegal visita dos embaixadores da França e dos EUA à emblemática cidade de Hama, onde ocorrem frequentes manifestações por democracia e liberdade.



As manifestações contra a ditadura de Bashar, sustentado pelo Exército, comandado por membros do minoritário grupo alauita, tiveram início em 15 de março com a chamada “ Jornada pela Dignidade”.



Só para recordar, na cidade de Hama, em 1982 sob a ditadura de Hafiz al-Assad, manifestantes em protesto foram massacrados pelo regime.



O clã alauita dos Assad está no poder há 40 anos e, nos últimos 30, desapareceram 17 mil opositores do regime. Em Hama, o pai de Bashar mandou matar, em 1982, todos os cidadãos ligados à Irmandade Muçulmana (Fraternidade Muçulmana) e destruiu edifícios da cidade com buldôzeres.



O embaixador francês e o norte-americano conversaram com os dissidentes e a visita à cidade de Hama restou considerada como voltada a dar força ao movimento. Os dissidentes, segundo plataforma conhecida, buscam (1) o fim da repressão política, (2) das detenções e prisões abusivas por delitos de opinião, (3) liberdades públicas, (4) livre criação de partidos políticos, (4) fim da censura e imprensa livre e (5) combate à corrupção.



Para o governo sírio e o direito internacional, a conduta dos embaixadores representou intromissão em assunto interno. Mas uma reclamação formal e até a expulsão dos embaixadores representava pouco para o ditador Bashar. Assim, Bashar preferiu o estilo do falecido pai, apelidado de “leão”, e usou a mão do gato. Para atacar as embaixadas de França e EUA, e provovar danos materiais, o ditador acionou os “mnhebback”, que são como a sua “torcida organizada”.



Bashar conta um grupo de civis que, quando acionados, saem furiosos em defesa do regime. O grupo conhecido por “mnhebback” traduzido em referência ao ditador, quer dizer “nós te amamos”.



Hillary Clinton, chefe da diplomacia norte-americana, reagiu com dureza ao ataque contra a embaixada dos EUA. Ela estava engasgada desde 8 de junho passado, quando Rússia e China vetaram, no Conselho de Segurança, a moção de condenação da Síria. Tratava-se de moção por massacres a civis em face de manifestações por liberdade e democracia que tiveram início em 6 de março passado. Referida moção foi apresentada pela França e Grã-Bretanha e recebeu o apoio dos EUA.



Para Hillary, “o líder de Damasco não é indispensável e não se manterá no poder”. A secretária de Estado e chefe da diplomacia só esqueceu de condenar a intromissão do seu embaixador na visita não autorizada à cidade de Hama.



Na França, a diplomacia sediada no parisiense “Quai d’Orsay” também protestou e considerou o ataque à sua embaixada como “violação flagrante ao direito internacional”. Também não houve nenhuma justificativa com relação à visita do embaixador francês à cidade de Hama.



Para os 007 dos serviços europeus de inteligência, isolar a Síria não é boa coisa pois significa empurrar o ditador Bashar para o colo do Irã, seu tradicional aliado, e ao libanês Hezbollah. E a Síria, quer pelo Irã quer pelo Hezbollah, é considerada a principal porta de entrada em caso de ataque a Israel.



O discurso de Hillary, que sabe que nenhuma manifestação de civis em apoio ao governo e com ataques a embaixadas é admitida sem prévia consulta a Bashar, destoou da linha do presidente Barack Obama, que reconhece a falta de condições dos EUA de se meter em outra guerra, já que está tentando “tirar o time” do Afeganistão.



Em março de 2009, Obama mandou a Damasco representantes e a meta era reabrir a embaixada dos EUA. Em 2005, depois do assassinato do premiê libanês Rafiq Hariri, o presidente W.Bush fechou a embaixada em Damasco, um ato visto como para atribuir à Síria a responsabilidade direta pelo bárbaro assassinato de Hariri.



A embaixada norte-americana em Damasco acabou reaberta em 29 de dezembro de 2009, por ato do presidente Obama.



No momento, com o discurso de Hillary, o quadro diplomático volta a azedar e o Irã assiste de camarote.



Wálter Fanganiello Maierovitch


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