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Guerra às Drogas. No México, mais de 40 mil militares desertaram. Muitos, trocaram de lado

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 7 de julho de 2011.


Só na cidade de Juarez ocorreram 23% dos assassinatos.


O presidente mexicano Felipe Calderon iniciou o mandato presidencial em dezembro de 2006 sob odor de fraude eleitoral. López Obrador era dado como favorito.



Calderon, no primeiro do dia do seu mandato, e com apoio do então presidente George W.Bush, decretou “guerra às drogas” e anunciou, para reprimir os cartéis, o emprego do Exército. Como até os sombreros sabiam, os cartéis tinham se infiltrado na polícia mexicana, considerada uma das mais corruptas do mundo.



A iniciativa recebeu o apoio da população e, assim, Calderon conseguiu dar ares de legitimação ao seu mandato. Bush entrou com recursos pesados e se anunciou o Plan Mérida, que resultou no primeiro grande fracasso da “war on drugs”.



O tráfico de drogas ilícitas no México movimenta de US$20 bilhões a US$25 bilhões por ano. Pelo apurado e informado no Washington Post, apenas 1% do capital sujo em circulação é bloqueado.



No curso da guerra, e Barack Obama deixou o barco do antecessor Bush, mais de 80 mil mexicanos morreram e 70% desse total não possuíam qualquer ligação com os cartéis e o tráfico de drogas proibidas.



O fracasso da “guerra às drogas” de Calderon levou a uma queda vertiginosa da sua popularidade. E ele já sabe que não ganharia eleição nem para síndico de prédio.



Nesta semana, divulgou-se um novo e assustador dado decorrenta da aventura que Calderon colocou o México. Nos últimos cinco anos, 40.391 militares desertaram, ou seja, abandonaram o Exército, que tinha efetivo de 262.741 homens.



Por dia e nos últimos cinco anos, desertaram 24 militares. E muitos dos desertores foram arregimentados pelos cartéis.



Pior ainda. Já existe infiltração dos cartéis no Exército que, antes de lançado na “guerra às drogas” por Calderon, não tinha problemas com corrupção e infiltração do crime organizado.



Calderon não consegue preencher os vazios decorrentes das deserções. E os desertores, dado estarem os cartéis a vencer a “war on drugs” de Calderon, não se inibem com a pena fixada no Código Penal Militar. Referido código estabelece, para o desertor, pena que vária de dois meses a dois anos de reclusão.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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