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Pesquisa aponta franceses contra a legalização da maconha, que vira tema de campanha presidencial

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 21 de junho de 2011.



As eleições presidenciais estão próximas na França. Faltam menos de doze meses e os socialistas que apostavam na candidatura de Domenique Strauss Kahn, ---preso nos EUA em face de acusação de estupro que vitimou uma camareira africana do hotel Sofitel de Manhattan---, procuram um outro nome para concorrer e impedir a reeleição de Nicolas Sarkozy.



Para ocupar espaço na mídia, os socialistas franceses abriram debate sobre a despenalização e a legalização controlada da erva canábica.



Posto o debate nas ruas, o instituto Ifop de pesquisas foi contratado pelo jornal Dimanche para realizar consultas junto aos franceses.



O resultado da pesquisa acaba ser divulgado: 63% dos franceses são contrários, quer com relação à despenalização do porte para uso próprio, quer referentemente à legalização controlada da maconha e seus derivados. Manifestaram-se favoravelmente 36% dos consultados.



O direitista presidente Sarkozy continua a ser contrário à despenalização e à legalização controlada da maconha. No particular, tem posição igual ao dos tucanos José Serra e Geraldo Alckimin, que sonham com a presidência da República. Sem pretensões eleitorais e não mais refém das bancadas evangélica e católica, Fernando Henrique Cardoso virou favorável às teses progressistas, em busca de um palanque para manter visibilidade.



Segundo o ministro do Interior da França, Claude Gueant, “não devemos abandonar a luta contra as drogas por ser ela difícil” . Claude Gueant, no ministério do Interior (segurança interna), continuou a linha repressiva e violenta do seu antecessor, ou seja, o próprio Sarkozy.



Na Europa, a França só perde da Suécia em termos de legislação de proibicionismo duro. Ambos os países criminalizam e sancionam pesadamente o surpreendido na posse de droga proibida para uso próprio.



Essa crença de a lei criminal para inibir a demanda nunca foi exitosa nas democracias ocidentais. E nos estados teocráticos, nem a ameaça de pena de morte consegue brecar a oferta de drogas proibidas.



Os franceses são os maiores consumidores europeus do haxixe traficado do Marrocos.



A propósito, o Marrocos é o maior produtor mundial de maconha, haxixe é óleo canábico.



O produto interno bruto do Marrocos (PIB) é dependente desses produtos. E 96 mil famílias marroquinas dedicam-se e dependem economicamente do cultivo da erva canábica.



No marroquino Vale do Rif, principal região de produção, são cultivados 120.500 hectares de maconha.



Para a Europa, o Marrocos envia 2.700 toneladas de maconha e derivados.



Pano Rápido. A União Européia, da qual a França faz parte, recomenda a legislação portuguesa, que não mais criminaliza a posse para uso pessoal. Com a nova lei portuguesa, houve significativa redução de demanda. Em Portugal, o porte para uso é proibido como infração administrativa (não criminal).

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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