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Violência contra mulheres. Esposa de Domenique Strauss Kahn passa por constrangimentos ao acompanhar marido em audiência

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 06 de junho de 2011.


Casal Domenique Strauss Kahn





–1. Anne Siclaire, jornalista francesa e esposa do banqueiro Domenique Strauss-Kahn, foi a que suportou maior carga de constrangimentos em face do primeiro e breve interrogatório do marido na Corte de Nova York.



Logo na chegada, Anne e Domenique Strauss-Kahn (DSK) foram recepcionados por um grupo ativistas de direitos humanos. Mais de 50 e em trajes de camareira de hotel.



Como se sabe, DSK é acusado de ter estuprado e cometido violências contra uma camareira do Sofitel de Manhattan, nascida na Guiné Equatorial. As ativistas puxaram coro de “DSK criminoso”, que acabou, replicado pelos circunstantes.



Como a audiência era no 13º.andar e o elevador demorou, Anne Siclaire teve de ouvir vários questionamentos. Dentre eles, se não tinha vergonha de se manter casada com um mostro. No particular, Anne entrou muda e saiu calada da Corte.



A audiência não durou 10 minutos, pois DSK deveria apenas confirmar ou negar a culpa.



Com a mulher Anne e a filha Vanessa na primeira fileira de cadeiras reservadas ao público, DSK afirmou que as relações sexuais com a camareira foram consentidas e não ocorreu violência. Como a imprensa francesa estava em peso na Corte, a declaração de DSK tornou público o adultério, fato conhecido até pelos ferros da Torre Eiffel.



Não bastasse para Anne, não ocorreu a plea-bargaing. Ou seja, a acusação a cargo do procurador Cyrus Vance Jr, nem cogitou de transação penal para colocar fim ao processo.



A propósito, o advogado Jeffrey Shapiro que representa a camareira Ophélia (nome fictício usado pela Justiça norte-americana para preservar a identidade da vítima) afirmou que a mesma não aceita acordo. No papel de assistente de acusação, o advogado disse que a camareira quer apenas “Justiça, respeito e reposição de dignidade”. O teor dessa manifestação deve ter tocado fundo a Anne, que continua a dar apoio ao marido, apesar do fato da camareira Ophélia e dos seus antecedentes de violência sexuais.



A próxima audiência está designada para 18 de julho e DSK estará frente a frente com a camareira Ophélia, de 34 anos de idade.



Os defensores de DSK, ou seja, os advogados Benjamin Brafman (notabilizou-se na defesa de Michael Jordan) e William Taylor, tiveram mais trabalho em atender a mídia do que na audiência. Eles foram incansáveis em afirmar que “DSK foi corajoso e que não existirem provas sobre a alegada violência”.



Para os jornais franceses do final de semana, os defensores de DSK já traçaram a linha de defesa.



A defesa sustentará a (1) inexistência de prova de violência, a (2) escassa credibilidade da palavra da vítima (007 da empresa de espionagens Guidepost Solutions levantam a vida da camareira nos EUA e na Guiné) e (3) a fraude montada pela pseudo vítima para lograr vantagem econômica.



Pano Rápido: No fundo, DSK, que já ofereceu extra-autos uma bolada de indenização por danos morais, sabe que não será fácil conseguir a absolvição. Se indenizar a vítima, poderá contar com um depoimento pleno de reticências e preparadas contradições. No dia 18 de julho próximo, haverá nova audiência.



DSK, depois de preso em 14 de maio e algumas noites de penitenciária, recebeu o benefício da prisão domiciliar vigiada (guardas e tornozeleira eletrônica). Para servir como prisão, DSK alugou uma mansão na Franklin Street, 153, onde dão plantão jornalistas franceses.



Na França, a cada ano, são violentadas 75 mil mulheres. E com relação às vítimas apenas uma em dez delas procura a polícia.

– Walter Fanganiello Maierovitch–


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