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Doutor Morte faleceu ao som de Bach. Morte natural em hospital de Detroit

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 4 de junho de 2011.

Jacob Kevorkian: 1928--3 de junho de 2011.



“Doutor Morte”, defensor do suicídio assistido, faleceu ao som de Bach. O chamado “Doutor Morte” faleceu ontem. Aos 83 anos de idade e num hospital de Detroit. De morte natural e ao som de Bach.



Jacob Kevorkian, nascido nos EUA e de família armênia que logrou fugir do genocídio perpetrados pelos turcos, ficou conhecido nos EUA como “Doutor Morte”. Para os amigos e a imprensa ele era o Jack.



Jack passou grande parte da sua vida a lutar pela legalização da eutanásia e do chamado “suicídio assistido”. Lógico, aos doentes terminais, em casos irreversíveis.



Sua luta iniciou-se quando, como jovem médico residente, presenciou a sofrida morte de uma mulher de meia idade portadora de um câncer no cérebro e muitas metástases pelo corpo: - “ Essa mulher sofria muito e estava esquelética. Era forçada a viver por meio de aparelhos”.



Até ser cassado como médico e preso em abril de 1999, Jack atuou, a desafiar a proibição legal, em 130 casos de suicídios assistidos. Todos de doentes terminais, ou seja, gravemente doentes. Os seus inimigos, sem provas, faziam circular a notícia que ele teria dado assistência a suicídios de pessoas depressivas.



Sua vida foi mostrada, em 2008, numa série de sucesso na televisão intitulada “You Don’t Know Jack”. Coube a Al Pacino a interpretação. A série mostra um Jack a despertar admiração de progressistas e ódio de conservadores, em especial de organizações religiosas.



Jack inventou duas máquina mortíferas, que chamava de “máquinas piedosas”. A primeira delas foi criada em 1990 e a segunda no ano de 1993. Eram dois instrumentos mortíferos colocados à disposição dos enfermos. Jack, entrava com os instrumentos, que eram manipulados pelo suicida. Em outras palavrs, Jack apenas assistia aos suicídios.



Formado em 1952 pela universidade de Michigan, o médico Jack teve a autorização para clinicar cassada em 1991.



A cassação veio logo depois de haver dado assistência ao suicídio de uma paciente acometida de Alzheimer, em estado final. Como frisou Jack, essa paciente era pele e osso e teve muita dificuldade de apertar o botão de acionamento da maquina colocada à sua disposição. Referida máquina tinha sido inventada por Jack, que a chamada de Thanatron: a máquina aplicava uma injeção letal.



Jack participou de vários debates e sempre sustentou que a eutanásia não podia ser tipificada como crime. E nem era legítimo ao legislador tipificar a assistência ao suicídio em pacientes terminais e isto fornecendo-lhe meios para o suicídio.



Preso em 1999, Jack, por bom comportamento, recebeu livramento condicional em 2007. Voltou à ribalda em 2008 com o supracitado filme interpretado magistralmente por Al Pacino.



Na Europa, vários países permitem, na sua legislação, o “testamento biológico”. Por ele, o testador proíbe seja a sua vida prorrogada por medicamentos e aparelhos. Muitos europeus falam que o “testamento biológico” vale para evitar internação em UTI quando o quadro é irreversível. Na Itália, a lei enfrenta resistência da Igreja e não passa enquanto Berlusconi, que se diz um escudeiro do papa Ratzinger, estiver no governo.



Nos estados norte-americanos de Washigton e Oregon, o suicídio assistido é permitido. Diante disso, dizem que a luta de Jack não foi em vão.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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