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No governo Dilma, o ministro Palocci está acima de qualquer suspeita criminal

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 17 de maio de 2011.

Palocci




–1. Uma corrente de operadores da antimáfia chama a atenção para a distinção entre a criminalidade dos poderosos e a dos potentes.



Poderosos são os que usam o poder ou o prestígio dele decorrente para praticarem crimes com objetivos patrimoniais. Os potentes são os endinheirados que, dada a condição econômica, procuram enriquecer ainda mais, com prática de ilícitos de natureza criminal.



Por evidente, criminosos poderosos e delinqüentes potentes conseguem se transformar, conforme o interesse econômico-financeiro, em irmãos siameses. Cada vez mais, empresários e políticos desonestos unem-se para práticas criminosas.



Diante desse quadro, os supracitados operadores da antimáfia concluem que, no planeta e desde sempre, não existem pessoas acima de qualquer suspeita.



No Brasil, tudo é diferente.



O ministro Antonio Palocci, para o governo Dilma Roussef e para o opositor José Serra, é pessoa acima de qualquer suspeita. Portanto, Palocci deve ser poupado do último escândalo revelado pelo jornal Folha de S.Paulo.



Conforme revelou o jornal Folha de S.Paulo, Palocci, em quatro anos e quando deputado federal, Palocci “multiplicou por 20 seu patrimônio entre 2006 e 2010”.



Palocci constituiu uma empresa de consultoria, onde detém 99,9% do capital societário. E a empresa comprou dois imóveis luxuosos, praticamente pagos à vista, nos valores de R$6,6 milhões (novembro de 2010) e R$882 mil ( dezembro de 2009).



Como sabem dos mares do além os piratas que roubavam e escondiam os tesouros em zonas chamadas hoje “off-shore” (fora da costa) ou paraísos fiscais, o “modus operandi” mudou no século XX. O roubo é o mesmo. Só que surgiram as empresas de consultoria. Ou melhor, pessoas jurídicas despersonalizadas, com o nome dos sócio escondido.



Relativamente a Palocci, tratava-se de uma empresa nascida para elaborar projetos na área econômica. Onde Palocci, apesar da formação de médico sanitarista, navega bem em mares revoltos. Ele já foi prefeito de Ribeirão Preto, onde saiu marcado por envolvido em escândalo com a chamada “máfia do lixo”. Palocci, também, atuou como ex-ministro da Fazenda, de 2003 a 2006 e saiu quando apontado como participante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, seu denunciante.



–2. Pouco antes de assumir a chefia da Casa Civil do governo Dilma Roussef, o referido Palocci alterou o contrato social da sua empresa. Essa empresa, então, passou a ter nova razão (finalidade) social. Ou seja, de elaboradora de projetos econômicos virou uma imobiliária. A propósito, uma imobiliária com funcionária que, ao telefone, disse à Folha não saber o que lá se faz.



–3. Para a presidenta Dilma, passado não importa. O secretário particular Clóvis Carvalho frisou, sobre Palocci: “ não há reparo a fazer e não cabe ao governo fazer investigação sobre o passado”.



Sepúlveda Pertence, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e que defendeu sem sucesso a legitimidade da Lei de Anistia (uma autoanistia em favor dos torturadores e assassinos da ditadura militar) junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos, concluiu “ não ver motivo para analisar a evolução patrimonial de Palocci” .



Pertence preside a Comissão de Ética do poder executivo federal. E ele avisa que, “por ora”, não abrirá nenhuma investigação.



–4. No Brasil, e está aí o escândalo Palocci a mostrar, existem pessoas acima de qualquer suspeita.



Pessoas com presunção absoluta de honestidade e probidade. Assim, não são investigadas e podem, depois da compra de um apartamento de R$6,6 milhões e de um escritório de R$882 mil, se negar a prestar esclarecimentos. Pior, ainda mentem, como fez Palocci, por sua assessoria, ao afirmar que as compras imobiliárias foram informadas à Comissão de Ética do governo Dilma.



–5. Pessoas acima de qualquer suspeita, infelizmente, virou regra mandamental do governo da presidente Dilma Roussef.



E Palocci, como destacado acima, ganhou o apoio do candidato derrotado José Serra, aquele que o ministro Flavio Bierrebach disse ter entrado no governo Montoro sem ter um gato para puxar pelo rabo e fez a campanha eleitoral, na sua primeira campanha, mais cara da história do Brasil.



–6. PANO RÁPIDO. Dilma e o oposicionista José Serra, com o aval de Sepúlveda Pertence, resolveram “blindar” ( ou seria “brindar”) o ministro Antonio Palocci.



Sobre o escândalo Palocci, ainda não se sabe a opinião do marido de Marina Silva, apontado pelo deputado Aldo Rabelo, referentemente a desmatamentos, como contrabandista de madeira.



Não vai demorar para um criminalista de peso lembrar que, com relação a Palocci, vale o princípio da presunção de inocência. O mesmo que está valendo para Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI e acusado de crime contra a liberdade sexual de uma mulher.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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