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Guerra civil na Líbia. Cortar a cabeça da serpente. Polêmica

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 27 de abril de 2011.
Muammar Kadafi.



1. Depois de um afastamento estratégico, os EUA se voltaram com tudo para Líbia e enviaram os “predator drones”, que bombardeiam com precisão e são pilotados a distância da base norte-americana de Nevada.



Com os predadores nos céus líbios, o aumento do número de disparos aéreos por parte da Otan e com o enésimo bombardeamento do complexo de Bab al-Aziziya, o ditador e tirano Muammar Kadafi acabou por recuar (confira post de ontem sobre a retirada de Misurata e a convocação por Kadafi das tribos para prosseguirem os combates contra os rebeldes na terceira maior cidade líbia).



Said el Islam, filho caçula e delfim do tirano Kadafi, logo se apresentou como vítima de atentado de morte em face dos bombardeios em Bab al-Aziziya.



Para Said, o alvo era o pai Muammar Kadafi, que, por evidente, não estava lá. Na verdade, Kadafi só ingressa em Bab al-Aziziya para receber delegações estrangeiras, com cobertura da imprensa. Na semana passada, por exemplo, recebeu o vértice da União Africana, com cinegrafistas e correspondentes internacionais, colocados na sala antes do ingresso do raís Kadafi.



Parêntese: o complexo de Bab al-Aziziya é um misto de quartel, residência oficial do raís (chefe em árabe) e salões para recepção de autoridades. Na entrada de Bab al-Aziziya está a célebre escultura representada por uma mão a esmagar um avião norte-americano: o complexo foi atacado em 1986 pelos norte-americanos em represália a uma ação terrorista de responsabilidade de Kadafi que matou militares norte-americanos numa discoteca da Alemanha. Avisado do ataque a Bab al-Aziziya em 1986 pelo então premiê italiano Bettino Craxi (condenado por corrupção na Operação Mãos Limpas, fugiu para a sua casa de praia na Tunísia e faleceu no exílio), Kadafi conseguiu deixar o complexo, sem tempo de tirar a filha adotiva, morta nos bombardeios.



Diante do protesto de Said el Islam, o premiê russo Vladimir Putin, aliado por interesses comerciais à Líbia de Kadafi (ao tempo da União Soviética, o ditador Kadafi estava alinhado com o bloco da Europa Oriental), alertou as forças de coalizão de que a Resolução 1973 da ONU não autorizava a execução do raís.



A manifestação de ontem de Putin acaba de ser respondida por Robert Gates, secretário de Defesa dos EUA: “O quartel-general de Kadafi é um alvo legítimo”. Putin ainda não apresentou réplica, esperada para hoje.



PANO RÁPIDO. A reposta de Robert Gates serviu não só para Putin. Ela veio num momento em que os republicanos, por manifestação da tribuna do Senado de Lindsey Graham, concluíam que a única solução para a Líbia seria o “corte da cabeça da serpente”.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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