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Guerra civil. Itália vai bombardear a Líbia. Fim do encontro Sarkozy-Berlusconi e o recuo de Kadafi

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 26 de abril de 2011.

Caças italianos eñtrarão em ação. Berlusconi volta atrás.


























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--1. O premier italiano Silvio Berlusconi não manteve a palavra de que jamais mandaria bombardear a Líbia do seu “considerado” Muammar Kadafi.



Quando em queda de braço com o presidente francês Nicolas Sarkozy e com o primeiro ministro britânico David Cameron, Berlusconi sustentou que os caças italianos não “bombardeavam e nem bombardeariam a Líbia”.



Mais ainda, Berlusconi chegou a anunciar, em entrevista coletiva, que convenceria o coronel Kadafi “a deixar a Líbia e se exilar num outro país”.



Hoje, no final do encontro bilateral com o presidente francês Nicolas Sarkozi ocorrido na italiana Villa Madama, Berlusconi confirmou que havia atendido o apelo do presidente norte-americano Barack Obama.



O apelo era para a Itália participar de ações militares de bombardeamento na Líbia, com base em particular interpretação da Resolução 1973 das Nações Unidas: a resolução é de 17 de março.



A partir de hoje a atuação da Itália fica ampliada.



A Itália não mais se limitará ao fornecimento de bases-militares para as tropas da coalizão coordenadas pela Otan-Nato. Os seus caças modelo Tornado, antes posicionados para controlar e bloquear o espaço aéreo (no fly zone), passarão a bombardear, com mísseis, alvos selecionados pela Otan-Nato.



Como se sabe, a Otan-Nato dispõe de 200 aviões militares de ataque para emprego em “ações humanitárias” e 18 navios que são utilizados para bloquear, no Mediterrâneo, o tráfico de armas para as tropas fiéis a Kadafi.



A pressão sobre Berlusconi começou na sexta-feira . Por ocasião de visita feita do senador norte-americano John Kerry. Este, depois da derrota à presidência dos EUA, alinhou-se a Barack Oba.



Ainda na semana passada, Mustafá Abdel Jalil visitou a Itália e fez, com a cidade de Misurata sob ataque pesado das tropas de Kadafi, apelo dramático de ajuda.



Jalil, ex-ministro da Justiça e antigo colaborador da tirania instalada por Kadafi, foi recebido pelo ministro de relações exteriores italiano Franco Fratine.



Com efeito. Não falta a Berlusconi treino para mudar versões e blefar descaradamente. Portanto, a sua mudança de postura com relação à Líbia não surpreende.



Além do mais, Berlusconi é conhecido internacionalmente como sabujo. Ao tempo de Gerge W. Bush, o premier Berlusconi, dado ao seu servilismo, era chamado de lacaio pela oposição italiana.



Na semana que antecedeu a Páscoa, quando da audiência judicial do rumoroso escândalo que envolveu a marroquina Karima El Marough, conhecida como “ Ruby rubacuore”, o premier Berlusconi reuniu a imprensa para apresentar a sua mais nova versão. Com impressionante caradurismo, Berlusconi disse que tinha dado dinheiro para Ruby não se prostituir e para abrir um salão de beleza. De desfrutador sexual de menor, Berlusconi quer vestir panos de protetor de carentes que estão a um passo da prostituição.



Só para lembrar, Berlusconi é réu em processo criminal por desfrutamento sexual de uma menor de idade (Ruby). É também acusado de crime de concussão: na condição de primeiro ministro ele exigiu, do chefe do departamento de polícia de Milão e com base em mentira, a liberação de Ruby, então menor e acusada de furto.



--2. O recuo de Kadafi na importante cidade de Misurata (Misrata, segundo os jornais brasileiros) mudou o cenário da guerra civil.



O centro de Misurata, terceira maior cidade ( cerca de 400 mil habitantes) e posicionada geograficamnte entre Tripoli e Sirte (cidade natal de Kadafi e controlada pela tribo Ghadala que lhe fornece apoio), foi deixado pelas tropas fiéis de Kadafi. Hoje, os rebeldes controlam o centro e tropas de Kadafi estão estacionadas na periferia.



Tão logo soube que os EUA tinham enviado os aviões “Predadores” para a Líbia (voam sem piloto e realizam bombardeamentos com precisão por se deslocarem em baixa altitude), Kadafi recuou da antiga cidade de Misurata e alertou que as tribos se encarregariam de decidir e combater os rebeldes.



Os “predadores” e o imprevisível recuo de Kadafi, levaram Berlusconi a mudar e se desdizer. E ele ficou impressionado com o ataque de ontem ao complexo Bab Al Azizya, um misto de quartel, residência e estado maior de Kadafi. Ontem, foi destruída a sala de reuniões usada por Kadafi, que, cinco dias atrás, havia recebido nesse lugar membros da União Africana: o complexo de Bab Al Azizya restou bombardeado em 1986 por ordem do presidente Ronal Reagan e em represália a ato terrorista atribuído a Kadafi e que levou à morte de militares norte-americanos em uma discoteca na Alemanha. Kadafi conseguiu fugir a tempo, pois avisado pelo então premier italiano Bettino Craxi. A sua filha adotiva morreu no local.



--3. Segundo os especialistas, existem na Líbia cerca de 140 tribos e os seus chefes se movem segundo vantagens econômicas.



São quatro as tribos mais influentes: Warfalla (mais numerosa e sediada na região da Tripolitânia), Megarha, Zuwayya e Ghadala ( a qual pertence Kadafi).



No início da revolta, em Bengasi e no dia 17 de fevereiro passado, o líder da tribo Warfalla posicionou-se contra Kadafi e advertiu que havia perdido a liderança por atacar o seu próprio povo. Os Zuwayya, localizados na região petrolífera da parte oriental do país, também não apoiam o coronel tirano e já chegaram a ameaçar de boicote a exportação do chamado “ouro negro”.



Com Kadafi estão as tribos Ghadala (numericamente pequena) e Megarha, localizada no sul ocidental da Líbia.



Para as próximas horas, os 007 da Otan-Nato não afastam um novo confronto em Misurata. Segundo vazamentos, entrarão em ação os mercenários de Kadafi misturados aos membros da tribo Ghadala, da vizinha Sirte.



--4. PANO RÁPIDO: apenas 15% dos líbios mantém vínculos com as tribos de origem. Nas grande cidades, os jovens já se afastaram da influência tribal. Assim, o recuo de Kadafi em Misurata continua a ser uma incógnita.



Para os 007 franceses e britânicos, não foram os “predadores norte-americanos” a espantar Kadafi. O recuo deveu-se ao amadurecimento de um acordo voltado a dividir o país: a Tripolitânia (incluída Misurata) com Kadafi e a Cirenaica (2/3 do petróleo e do gás extraídos) com os rebeldes.

-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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