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Alarme. 800 mil líbios em situação de risco segundo ONU-Ocha.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 20 de abril de 2011.




--1. A cada dia que passa cresce a tragédia na Líbia. A Resolução 1973 das Nações Unidas, voltada à promoção de ações militares consideradas humanitárias, não conseguiu paralisar os combates sangrentos e ainda não se logrou encontrar uma via saída para solucionar o conflito entre as tropas leais ao tirano Muammar Kadafi e os rebeldes da Cirenaica, representados por um Conselho de Transição Líbio (CTL) sediado em Bengasi, já reconhecido como único representante do povo líbio pela França, Qatar e Itália.


A Agência das Nações Unidas de ajuda humanitária (Ocha) acaba de informar que na Líbia 800 mil pessoas necessitam de ajuda urgente. E Mustafá Abdel Jalil, --atual presidente do Conselho de transição e ex-sustentador da tirania de Gadafi quando serviu ao regime como ministério da Justiça--, falou em milhares de crianças em desespero e carentes de proteção e assistência.


Jalil iniciou ontem um périplo a países da Europa e busca convencer os países da coalizão a iniciar uma ação de forças militares terrestres para conter o avanço das tropas fiéis a Kadafi.


--2. Abdul Ati al Obeidi, ministro de relações exteriores baseado em Trípoli e sob as ordens de Kadafi, avisou que a interrupção dos bombardeios pela Otan-Nato abrirá caminha para uma eleição, com observadores da ONU.


Obeidi é favorável ao “roadmap” sustentado pela Turquia e União Africana. O premier turco propõe (1) um cessar fogo imediato, (2) a constituição de um corredor humanitário para atender os civis e (3) a abertura de discussão sobre um plano de reformas democráticas.


A saída aventada pela União Africana passa por um imediato cessar fogo e posterior formação de um governo provisório (ad-interim) com atribuição para preparar eleições em seis meses e sob fiscalização da ONU.


Na verdade, Obeidi tenta retomar o dissenso da semana passada quando o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmunssen, sustentou que a solução para a Líbia é política e não militar.


As reações iradas do presidente francês Sarkozy e do primeiro-ministro britânico Cameron, fizeram Rasmunssen mergulhar em profundo silêncio. A manifestação de Rasmunssen, no entanto, serviu para dar força à proposta da Turquia, acima mencionada.


Uma radiografia da atuação da Otan-Nato mostra que o espaço aéreo está controlado e o sistema de mísseis de longo alcance da ditadura Kadafi encontra-se em grande parte neutralizado. Só que os embates em terra prosseguem.


Hoje, o quadro é diverso da semana passada e considerado, por França e Grã Bretanha, como estar Rasmunssen a “jogar a toalha” antes de um nocaute de fato. Segundo anunciado por Sarkozy e Cameron, os seus dois países aumentarão os bombardeamentos. Isto com os 39 aviões em operação na Líbia: 29 Rafale e 10 Tornados.


Por outro lado, a Itália anunciou hoje cedo, pela boca do ministro da Defesa que está em Londres, que mandará, a exemplo dos britânicos, militares para adestrar os revoltosos em guerra civil contra Kadafi.


Depois da retomada da estratégia cidade de Brega, Said Kadafi, filho e herdeiro político do tirano coronel líbio, convocou jornalistas para senytenciar: “venceremos nós”. --3. PANO RÁPIDO. Segundo organizações humanitárias, cerca de 350 mil civis estão em zona de intensos combates, ou seja, entre fogo-cruzado.


Enquanto isso, 760 foragidos líbios desembarcaram ontem em Lampedusa (Itália). Até o momento aportaram em Lampdeusa 18 embarcações precárias com 4.061 líbios.

-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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