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Armas e munições. Referendo e ambiguidade ética.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 13 de abril de 2011.


1. O presidente do Senado, José Sarney, precisava de uma bandeira nobre para tentar melhorar a sua desgastada imagem pública.



A tragédia de Realengo, que revelou a facilidade de se adquirir no mercado ilegal armas de fogo no Brasil, levou o senador Sarney a propor uma segunda consulta popular (referendo) e afirmou que não vai recuar.



A pergunta seria a mesma do referendo de 2005. Aliás, pergunta que foi criticada por gerar confusão entre o “sim” e o “não”: “O comércio de armas de fogo e de munição deve ser proibido no Brasil?”



A questão deve ser outra. E duvido que os lobistas das armas, que controlam a chamada “Bancada parlamentar da bala”, deixem ser formulada: “A indústria de armas deve ser fechada no Brasil?”



2. O Brasil está no terceiro bloco de fabricantes e fornecedores de armas e munições. Em outras palavras, o Brasil exporta violência. Como conviver, por exemplo, com a ambiguidade ética de se proibir a venda de armas e munições internamente e admitir a exportação. Imaginem a Colômbia proibir a oferta de cocaína em seu território e permitir a exportação de cocaína.



Com efeito. Vamos acabar com a indústria bélica no Brasil e garantir outros postos de trabalho aos que nela estão empregados. 3. No referendo de 2005 a indústria das armas mostrou seus músculos e quanto doa para as campanhas eleitorais.



Na ocasião foram apurados 92.442.310 votos. A opção pelo “não” alcançou 63,94%. O “sim” ficou com 36,06%. Quanto aos nulos, o porcentual foi de 1,68%, e os votos em branco alcançaram 1,39%.



PANO RÁPIDO. A indústria bélica está a todo vapor no Brasil. Proibir a comercialização interna não terminaria com as exportações. Exportações ao Paraguai, por exemplo, com volta da arma, made in Brasil, por tráfico ilegal. Wálter Fanganiello Maierovitch


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