São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Síria. segunda onda de revoltas. 120 mortes.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 09 de abril de 2011.


presidente sírio, Bashar Assad, no poder desde o ano 2000.

--1. Novamente em Dera’a. Nas mesma circunstância: saída das orações na mesquita de Al Omari Ccerca de 50 mil opositores ao regime da família Assad protestaram. Eles buscam liberdade num país que está sob lei de emergência desde 1963. Com base nessa emergência, não há liberdade de expressão e, por delitos de opinião, as prisões estão lotadas.



A onda de protestos na Síria começou há três semanas em Dera’a. E repressão com emprego de forças paralamilitares (8 mil homens formam a temida Gendarmeria) resultou em uma centena de mortes: para a agência oficial Sana ocorreram 36 mortes nos conflitos de três semanas atrás. Organizações humanitárias, no entanto, falam em 126 mortos.



Na primeira revolta, foi queimada a estátua de Hafez-el-Assad, pai do atual presidente Bashar e que dirigiu o país de 1971 a 2000.



Ontem, na revolta, caiu a estátua de Bassel-el-Assad, que era o sucessor do pai Hafez e morreu num acidente de automóvel em 1974.



A sede do partido Baat, cuja ala alawita levou ao poder o general Hafez, também foi destruída durante a manifestação em Dera’a, que fica no sul e faz fronteira com a Jordânia.



Essa segunda revolta, iniciada ontem em Dera’a e depois da tradicional pregação da sexta-feira, alcançou outras cidades como Douma, Homs, Harasta e Hama: em Hama e no ano de 1982, o ditador Hafez massacrou 20 mil membros da Fraternidade Muçulmana ( no Brasil , alguns usam o termo Irmandade Muçulmana) e destruiu as casas dos seus familiares com buldôzeres.



Na segunda onda de protestos iniciada de sexta feira, o número de mortos é estimado em 120.



Ao contrário do esperado, o discurso do presidente Bashar, feito em 30 de março no Parlamento, não convenceu a oposição, que voltou às ruas.



Nem a promessa de Bashar em conceder cidadania síria aos curdos (150 mil concessões prometidas) fez com que mudassem de lado e abandonassem o apoio aos opositores ao regime.



Os curdos, nos registros oficiais da Síria, são classificados como estrangeiros. Eles representam 7,3% da população de 200.367.000 (censo realizado em 2009).



Na cidade de Qamishil, fronteira com a Turquia, os curdos saíram às ruas para protestar contra Bashar, que está no cargo desde 2000 e completou 45 anos de idade: o mandato presidencial é de 7 anos e Bashar está no segundo, em eleição com odor de fraude.



--2. Bashar, um oftalmologista formado em Londres, vai continuar a reprimir os revoltosos. Não há qualquer possibilidade dos manifestantes, como sucedido no Egito e na Tunísia, derrubarem o governo.



O Exército e o eficiente serviço de espionagem da Síria apóiam o regime. E não existem divergências no interior dessas corporações.



Como já fizera no discurso de 30 de março passado, Bashar procurou um bode-expiatório. Hoje, repetiu que existe um complô internacional. Para Bashar, as forças de ordem, por homens mascarados, foram atacadas e a Síria perdeu 19 agentes.



. A estratégia de Bashar é conhecida. Oposição a Israel, aproximação diplomática com o Irã e apoio a grupos como Hamas e Hezbolah. Com base nisso, ele sustenta a existência de um complô internacional para derruba-lo. Bashar goza de uma certa admiração entre os árabes, que não perdoaram o falecido Hafez por ter massacrado membros da Fraternidade Muçulmana.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet