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Primavera Árabe. Itália e França em confronto aberto. Alemanha protesta.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 8 de abril de 2011.



--1. Desde o início da chamada “Primavera Árabe”, grande quantidade de imigrantes tunisianos chegam a Lampedusa (Itália), onde vivem 5 mil cidadãos italianos.



A pequena Lampedusa chegou a abrigar 15 mil imigrantes.



A arriscada travessia da Tunísia para a Itália leva dias. E organizações criminosas, mediante pagamento, cuidam de colocar barcos à disposição dos que sonham em chegar à Europa para ter uma vida melhor. Cada um que embarca paga cerca de 2 mil euros. Os tunisianos chegam sem dinheiro e portam apenas uma pequena mochila com roupas e um aparelho celular.



As barcaças são impróprias. Muitas desapareceram, levadas pelas tempestades em alto mar.



Com gente em excesso, ocorreram naufrágios: nesta semana 250 pessoas (homens, mulheres e crianças) morreram bem próximo do cais de desembarque de Lampedusa..



Passada a longa fase para a solução do problema da superlotação no “centro de acolhimento” de Lampedusa, os imigrantes estão sendo distribuídos pela Itália, mas sempre em regime de segregação. Antes, as televisões européias mostraram chocantes imagens. Uma desumanidade no centro de acolhimento de Lampedusa que, por evidente, estava preparado para receber no máximo mil pessoas.



A Itália tentou, com o desmoralizado Silvio Berlusconi na chefia do governo, sensibilizar a União Européia. Afinal, o problema era de todos os países europeus. A França, na região de fronteira com a Itália, reforçou o policiamento. Os imigrantes que conseguiam fugir do centro de acolhimento e atravessar a fronteira eram, pela polícia da França e uma vez descobertos, devolvidos para a Itália.



Ontem, como numa comédia, o governo de Berlusconi resolveu empregar a esperteza. Está a conceder “permissão temporária” (permesso di soggiorno) para os que, por mar, chegaram à Itália entre 1 de janeiro e 5 de abril.



De posse da permissão, o imigrante passa, com base na Convenção de Schengen, a poder circular pelos países que integram a comunidade européia. Trocando em miúdos, começará uma migração intensa, ou melhor, da Itália para outros países europeus: 99% dos que chegam à Itália não pretendem ficar e querem chegar preferencialmente à França, Alemanha e Suécia.



Por evidente, França e Alemanha protestaram. E avisam que, pela Convenção de Schengen, não basta a permissão temporária. Ou seja, há necessidade de exibição de passaporte. Ora, nenhum dos imigrantes procedentes da África e que aportaram na Itália possuem passaporte.



No dia 26 de abril, Berlusconi e Sarkozy terão uma reunião. Já se sabe que os dois países irão se compor. E nessa composição, “vai sobrar para os imigrantes”, para usar uma expressão popular.



Os ministros de relações internacionais da França e Itália alinhavam um projeto que será celebrado entre Sarkozy e Berlusconi.



O projeto é preocupante, como já advertiu a Caritas Internacional. Pelo que se sabe, França e Itália, pelo projeto, farão o patrulhamento do Mediterrâneo para impedir que tunisianos cheguem aos dois países.



--2. Itália e França fazem parte, com relação à guerra civil na Líbia, da coalização humanitária das Nações Unidas.



Como se sabe, a França e Grã-Bretanha, a título de ação humanitária, resolveram, depois de anos, ajudar os que lutam contra a tirania de Kadafi.



O certo é que França e Grã-Bretanha aproveitam-se de um rótulo humanitário para executar políticas neocolonialistas.



O mesmo sentimento humanitário em face dos revoltosos líbios não vale para os imigrantes desesperados que, na travessia feita em precárias embarcações, fogem da instável Tunísia. Tudo em busca de trabalho e de uma vida digna na Europa, em especial nos países europeus que integram, com relação à Líbia, a coalizão nascida com a resolução 1973 das Nações Unidas.



--3. PANO RÁPIDO. Piores dias estão chegando.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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