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Líbia. Morte de crianças pode levar Otan a suspender bombardeios chamados de humanitários.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 01 de abril de 2011.



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1. No meio da semana passada o presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro britânico David Cameron realizaram a concorrida Conferência de Londres.



Na verdade foi um “oba-oba” para discussão sobre uma “via de saída” para o tirano Muammar Kadafi.



Sarkozy e Cameron, quando acertaram a realização da conferência, já tinham escolhido até o lugar na parede da lareira para a pele do leão-raís líbio.



A dupla, no entanto, esqueceu que Kadafi continua vivo. E na região da Tripolitânia, Kadafi ainda é considerado o raís (chefe, em árabe).



Ontem, como este blog Sem Fronteiras noticiou em primeira mão, as forças da Aliança Atlântica (Otan-Nato) bombarderam bairros de Trípoli. E 40 civis morreram, como denunciou o mais alto representante do Vaticano na capital da Líbia: monsenhor Martinelli, do Vicariato Apostólico de Trípoli.



Hoje, no quartel-general da missão da Otan-Nato para cumprimento da Resolução 1973 das Nações Unidas, chegou a notícia do bombardeamento noturno de ontem em Zawia e Argobe, situadas a 15 km de distância de Brega. As cidades vizinhas de Brega e Ras Lanuf têm importância estratégica pela existência dos dois maiores e mais importantes terminais petrolíferos da região da Cirenaica.



O “raid” noturno em Zawia e Argobe resultou em tragédia com a morte, nas suas residências, de sete civis e ferimentos graves em outros 25.



Atenção: entre os mortos e feridos em Zawia e Argobe a média de idade varia entre 12 e 20 anos de idade.



Na primeira tragédia de 40 vítimas fatais, na quinta-feira 31 e em bairros de Trípoli sob bombardeamento pelas “forças humanitárias” da Otan-Nato, figuraram várias crianças.



No momento, fala-se em suspensão dos bombardeamentos. A Alemanha, diante do ocorrido, pede a imediata suspensão das ações militares das forças de coalizão na Líbia.



PANO RÁPIDO. Tudo se passa em três momentos relevantes.



1. o ministro líbio do Petróleo, SHukri Ghanem, desmente que renunciará e declara fidelidade a Kadafi.



2. o ministro da Defesa dos EUA, depois das bolas-fora chutadas pelo presidente Obama e a secretária Hillari Clinton, trabalha para jogar água fria na tese estapafúrdia da mencionada dupla. Obama e a Clinton falaram que estudavam a tese de armar os rebeldes (depois os assessores, com disparate semelhante, mudaram a tese para fornecimento, em substituição a peças de armas de fogo). Por evidente, não é apropriado pensar em armar rebeldes por quem integra uma coalizão voltada a perpetrar ações humanitárias.



3. O delfim de Kadafi, que estudou na Alemanha e se autoproclamava artista plástico em exposições pagas com dinheiro do povo líbio, mandou enviados a Londres para tratar de uma eventual divisão da Líbia em dois países: Trípoli-Fezzen (para Kadafi ou para ele Said) e a Cirenaica para os rebeldes. Rebeldes estes liderados por um Conselho presidido pelo ex-ministro da Justiça de Kadafi que, depois de perder poder na ditadura, aderiu à revolta em Bengasi.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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