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Líbia. Forças de Kadafi acusadas de estupro em mulheres. Premier turco propões caminho diplomática para se lograr um cessar fogo

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 28 de março de 2011.
Sarkozy é ironizado em revista italiana.





De Roma, exclusivo para Terra Magazine.



1. Na guerra de informações e contra-informações voltadas a conquistar apoio internacional, a última notícia dá conta que forças leais ao raís Kadafi estupraram mulheres depois da reconquista da cidade de Ajdabiya.



Essa grave denúncia foi veiculada na madrugada de hoje pela Al-Jazeera e decorre de entrevista realizada com médicos da cidade de Ajdabiya, que já estaria novamente sob controle dos rebeldes. Dessa cidade teriam desaparecido, também, 175 pessoas.



Por outro lado, inúmeros jornalistas e a France Press, desmentiram o comunicado dos rebeldes de que teriam conquistado Sirte, a cidade natal de Kadafi.



O correto, segundo o jornalista da France Press, é que o avanço dos rebeldes foi, na manhã de hoje, barrado pelas forças pró-Kadafi a cerca de 140 km de Sirte, na saída de Bem Jawad.



Enquanto isso, o comando da Otan-Nato, com quartel-general em Nápoles, avisa que o espaço aéreo líbio está fechado para vôos e a violação implicará em derrubada da aeronave.



2. Quem armou os rebeldes que enfrentam as forças do raís (chefe) na Líbia ?



Essa é a pergunta mais repetida na Europa, deste o início da revolta de 17 de fevereiro passado.



Dois exemplos ajudam a mostrar que os interesses geoeconômicos sempre pesam mais e não obedecem nenhuma linha de coerência .



Já se sabe que a Itália vendeu para a Líbia, no início de 2005 quando Kadafi mantinha o poder absoluto, 10 mil pistolas automáticas.



A França, por interpostos traficantes de armas e munições, teria abastecido os rebeldes da Cirenaica, onde estão mais 80% dos recursos naturais (gás e petróleo).



A oportunidade, aguardada pelos franceses, ocorreu, consoante se sustenta, com o protesto do advogado que, em fevereiro último, não conseguia se entrevistar com os presos políticos que defendia: estavam mortos, como se soube depois.



O interesse da França estaria centrado na conquista, pelos rebeldes que são seu aliados, da Cirenaica. E vale tudo para isso. Até o fato de os rebeldes serem liderados por antigos membros da ditadura de Kadafi, ou seja, àqueles que perderam o poder e, agora, querem voltar a ocupá-lo, sem Kadafi.



Sarkozy, que recebeu Kadafi no Palácio Eliseu e permitiu até que ele escolhesse um parque parisiense para montar a sua tenda, vendeu-lhe aviões do tipo Mirage. Os mesmos usados para bombardear os rebeldes, com emprego de pilotos-mercenários e obrigados a voar sem pára-quedas. E os Mirage vendidos levaram à constituição de uma no-fly zone, conforme Resolução 1973 das Nações Unidas



3. Outras duas perguntas inquietantes referentemente à Líbia e que circulam nos debates italianos que ocupam grande parte do horário das televisões não pertencentes ao premiê Silvio Berlusconi : 1) por que o presidente Sarkozy, com o seu protagonismo de estilo napoleônico, perde votos na corrida presidencial? 2) qual a razão de Angela Merkel, que não aprova a intervenção na Líbia e consegue fazer a Alemanha crescer economicamente mais do que a média europeia, não emplaca eleições, pelo direitista partido CDU, e suas qualidades de governante só são admiradas fora do país?



Esse complexo quadro não desanima o premiê turco Tayyip Erdogan. Ele se mostra disposto, conforme entrevista publicada no Guardian, a assumir um papel de mediador isento. Com isso, Berlusconi, já que a Itália tem interesses na região e está em aberto conflito com a França, deixaria o papel de mediador, embora continue a afirmar que convencerá Kadafi a aceitar um asilo político, sem o Tribunal Penal Internacional na perseguição.

Wálter Fanganiello Maierovitch /


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