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Otan no comando a partir da 1,00 hora do Brasil. Começa a Operação Unified Protector. Kadafi está sumido da televisão desde quarta-feira. Rebeldes garantem 100 mil barris de petróleo por dia

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 27 de março de 2010.


Base militar de Nápolis.



De Nápolis, exclusivo para Terra Magazine.


--1. Num “freccia d´argento” (flexa de prata) deixei Roma e depois de uma hora de viagem cheguei à estação central de Nápolis.



A cidade estava agitada e não era pela chegada de Maradona, que continua “rei” e todo torcedor napolitano tem uma sua fotografia em casa. Em prestígio, Maradona só perde para São Genaro, cujo sangue solidificado, todo ano e na mesma hora, os napolitanos esperam a transformação em estado líquido, pois este é sinal de que nenhuma tragédia ocorrerá.



A agitação dos partenopeos decorria da decisão dos 28 estados-membros da Aliança Atlântica (Otan-Nato). Ou seja, a base militar de Nápolis acabava de ser transformada em quartel general para as ações relativas à Líbia, em cumprimento à Resolução 1973 das Nações Unidas.



Mais ainda. A Operação Odyssey Dawn (Odisséia à madrugada) deflagrada por três comandos independentes (França, EUA e Grã-Bretanha) chega ao fim. No seu lugar, e pela Otan (Nato), começa a “Unified Protector (Proteção unificada).



As 6 horas de Nápolis, uma hora da manhã no Brasil, a Aliança Atlântica (Otan-Nato) assume oficialmente o comando das ações militares na Líbia.



Caberá ao general canadense Charles Bouchar, a partir de Nápolis, o comando das ações e a coordenação das forças.



Nenhum vôo será permitido no espaço aéreo líbico, sem autorização da Nato, disse o general Bouchar.



Na pizzaria napolitana Bellini, a mais famosa do mundo e onde teria nascido a pizza, muitos jornalistas esperavam por oficiais da Nato que estão na base-militar. Nenhum apareceu até às 14 horas. Sinal de que todos estão muito ocupados e não deram bola para à recomendação do papa Ratzinger que, no Angelus de domingo, pediu, da janela do seu aposento e defronte à vaticana praça São Pedro, o fim da luta armada.



O general canadense Bouchar, no comunicado de domingo, não descartou ações militares em terra. Disse que poderão ser realizadas, mas excepcionalmente, ou melhor, para proteger os civis: - “ Fui nomeado comandante do Comando Conjunto para as operações de embargo e começaremos por aplicar a ‘ no-fly zone’.



--2. Segundos os 007 da inteligência Ocidental, o raís (chefe, em árabe) Muammar Kadafi não é visto desde quarta-feira passada.



Para os seus aliados, ele está na linha de frente das batalhas e se desloca o tempo todo. Assim, não mais tem tempo para aparecer na televisão. Os seus oito filhos também sumiram do mapa e nenhuma palavra sobre a morte do caçula.



Para os 007, os rebeldes avançam para conquistar Sirte, que é a cidade natal de Kadafi. Mais uma vez, na guerra de informações e contra-informações, fala-se em debandada das forças fiéis ao raís Kadafi.



Os rebeldes, por celulares satelitais, começaram a enviar fotografias que servem para mostrar não só as suas vitórias. Uma das fotos mostra um arsenal abarrotado de armas e munições abandonado pelas forças fiéis a Kadafi.



--3. Pelo chamado Conselho de Governo de Transição, formado por 34 membros ( muitos deles antigos sustentadores do regime de Kadafi), foi enviada a informação, -- que já chegou ao comando Otan de Nápolis, de que os rebeldes garantirão a extração e envio de 100 mil barris de petróleo-dia.



--4. Em Trípoli, capital da Líbia, as lojas permanecem fechadas, faltam combustíveis para os veículos automotores e o pão é o único alimento que ainda pode ser comprado.



Para os rebeldes, Kadafi cairá nos próximos dias.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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