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Espiões britânicos alertam para terrorismo pró Kadafi

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 24 de março de 2011.





1. Força aérea de Kadafi não existe mais: Na base militar italiana de Gioia del Colle — aberta para dar apoio à Força Aérea britânica que faz parte da coalizão formada com base na Resolução 1973 da Organização das Nações Unidas (ONU) —, o general Greg Bagwell acaba de declarar: “A força aérea a serviço do raís Muammar Kadafi não existe mais como força combatente. O sistema de defesa integrado e as redes de comando e controle foram muito danificadas. Deste modo, permitem as nossas ações com relativa facilidade”.



A fala do general Greg Bagwell, da Royal Air Force (RAF), foi transmitida pela BBC de Londres e gerou especulações. Alguns críticos perguntam, depois de ouvir a fala do general da RAF, se a operação Odissey Daw das Nações Unidas perdeu ou não o objeto. Em outras palavras, se ainda persiste a necessidade de manutenção de uma zona de exclusão aérea na Líbia.



2. Espiões britânicos alertam sobre terrorismo pró-Kadafi: Os 007 do serviço de espionagem britânico conhecido por MI5 alertaram o primeiro-ministro David Cameron sobre o risco de ações terroristas nos países que formam a coalizão das Nações Unidas.



Com base em inúmeras interceptações telefônicas em solo do Reino Unido, os 007 do MI5 descobriram que amigos fiéis do coronel Kadafi, moradores na Europa e já integrados à vida ocidental, mobilizam-se para financiar ações terroristas em represália à intervenção da coalizão das Nações Unidas na Líbia.



O governo inglês já comunicou a França, Inglaterra, EUA e os demais Estados que formam a coalizão, incluídos os Emirados Árabes e o Catar.



3. França resiste ao comando da Nato na intervenção na Líbia: Apesar do anúncio sobre a constituição de comando único para a operação Odissey Dawn, o presidente Nicolas Sarkozy não desiste da posição de protagonista.



Os três primeiros dias da operação, como registrado na segunda-feira 21 neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, foram de desencontros. Três blocos foram formados: França, Grã-Bretanha e EUA. E esses blocos atuaram cada um por si, sem plano comum e sem troca de informações.



Itália, Grã-Bretanha e Canadá sugeriram que a coordenação fosse entregue à Aliança Atlântica (Otan-Nato) e os franceses resistiram à idéia. Os norte-americanos, por seu turno, revelaram temor de desagradar os árabes, já que a Nato atua há dez anos no Afeganistão.



Na final da reunião do Conselho de Ministros da França ocorrida na tarde de ontem, o ministro de Relações Exteriores, Alain Juppê (ex-primeiro-ministro de Jacques Chirac), disse que “A Nato terá apenas uma atividade técnica na Líbia” e não praticará “a pilotagem política da operação de intervenção humanitária”.



Segundo Juppê, que está engajado na campanha de reeleição do presidente Nicolas Sarkozy, a Nato intervirá “nas planificações” referentes à zona de exclusão aérea, que ficou conhecida pelo termo no-fly zone.



Para Sarkozy, a França tomou a iniciativa da intervenção. Não fosse a França, as forças de Kadafi teriam invadido Bengasi e dizimado os civis.



O agora defensor da liberdade, em tempos recentes, recebeu Kadafi no Palácio do Eliseu, vendeu-lhe aviões e aceitou a entrada de fundos líbios soberanos na economia francesa. Fora isso, Sarkozy dava apoio político de sustentação dos ditadores do Egito e da Tunísia, ambos já defenestrados pelo povo.



PANO RÁPIDO. A Resolução 1973 só fala em ajuda humanitária. Não fala em eliminação de Kadafi. Apesar disso, a Grã-Bretanha bombardeou a residência do raís em Trípoli, onde não existem confrontos. Ontem, segundo o almirante norte-americano Gerard Hueber, as forças da coalização atacaram tropas de Kadafi . Elas ameaçavam as cidades de Ajdabiya, Misurata e Zawiya. Pelo jeito, trata-se de uma guerra de apoio aos rebeldes e contra o tirano Kadafi. Uma guerra disfarçada com o nome de intervenção humanitária.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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