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Líbia. Depois intervenção determinada pelo Conselho de Segurança, Kadafi recua e quer negociar. Emirados Árabes e Catar integrarão as forças da ONU. Rebeldes comemoram e tribos se realinham.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 18 de março de 2011.

.--1. Não deu tempo para o ditador Kadafi chegar a Tobruk e bombardear Bengasi.



Conforme anunciamos neste espaço IBGF e no Sem Fronteiras de Terra Magazine ( http://maierovitch.blog.terra.com.br/wp-admin/post.php?action=edit&post=6781 ), o apoio majoritário da Liga Árabe (Síria e Argélia foram contrários) a uma intervenção na Líbia foi fundamental para o Conselho de Segurança, por 10 votos a favor e 5 abstenções, determinar o fechamento do espaço aéreo e a navegação marítima na Líbia, exceção a casos de envio de auxílio humanitário.



Rússia e China que se opunham ao estabelecimento da ‘no-fly zone’ abstiveram-se de votar. Assim, passou o projeto da França e Grã-Bretanha de proteção à população civil.



O projeto prevê, também, o controle na fronteira com o Chade, onde são arregimentados mercenários e ingressam armas e munições para as forças de Muammar Kadafi.



Todos vôos comerciais estão suspensos.



O histriônico e narcisista Kadafi ao saber da votação no Conselho de Segurança das Nações Unidas passou a ameaçar tornar impossível a navegação no Mediterrâneo, que prometeu bombardear.



Na madrugada, no entanto, o tirano deixou a histeria para, perdidos os anéis, salvar as mãos, ou seja, tentar negociar a manutenção do controle da antiga região da Tripolitânia. E, em contrapartida, deixar o leste ( a região da Cirenaica) para os rebeldes e o seu Conselho Transitório de Governo formado por 30 líderes. Frise-se que os poços de petróleo e de gás estão localizados no leste.



O Conselho de Segurança antecipou para ontem a reunião que estava marcada apenas para terça feira próxima.E a antecipação deveu-se à violência das forças de Kadafi, na reconquista de territórios perdidos para os rebeldes.



Pesou, ainda, o risco iminente de novas consumações de crimes contra humanidade em face da tentativa de retomada de Bengasi. No último 17 de fevereiro, em Bengasi, iniciaram-se as manifestações contra a ditadura de Kadafi.



Das três principais tribos existentes na Líbia, apenas a de Kadafi, a denominada Al Qaddadfia, dava-lhe apoio.



A Al Warfalla fechou logo no início com os rebeldes, enquanto a tribo Al Magariha permaneceu em cima do muro. À tribo Al Magariha pertencia o terrorista que, a mando de Kadafi, promoveu o atentado contra o jato da Panamerican, em dezembro de 1988 e nos céus de Lockerbie (Escócia).



Na Líbia existem 140 tribos e elas estão ligadas a uma das três principais. Como nas tribos não se tem noção de coisa pública, -- e elas só atuam no interesse corporativo--, os seus líderes são leais apenas quando satisfeitos economicamente. A isso se acrescenta o fato de Kadafi, que distribuía dólares do petróleo às tribos, ter administrado a Líbia como um bem pessoal.



Com o novo quadro a apontar para a intervenção pelas Nações Unidas, os chefes tribais tendem a descartar Kadafi. Mais, os pilotos estrangeiros e os mercenários contratados por Kadafi sabem da impossibilidade de enfrentar com sucesso os caças que atuarão na derrubada de aviões violadores do espaço aéreo.



Para assegurar a inviolabilidade do espaço aéreo, caças franceses, ingleses e norte-americanos, estarão baseados em Sigonella (Sicília) e Malta: em Sigonella funciona uma base militar norte-americana. O controle do mar será pela 6ª.Frota dos EUA.



PANO RÁPIDO. Kadafi fará qualquer negócio para manter a região da Tripolitânia e não aceitará exílio, salvo se for no Chade, com contas desbloqueadas e compromisso de não ser entregue ao Tribunal Penal Internacional no caso de ser decretada a sua prisão preventiva.

-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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