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Processo contra Berlusconi. 70 testemunhas de defesa para dizer de jantares sem bacanais.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 17 de março de 2011.


Berlusconi se apresenta como vítima.



De Roma, especial para Terra Magazine e IBGF.


--1. Como hoje é dia de festa, os italianos resolveram abrir uma exceção e sorrir da mais nova cena da tragicomédia protagonizada pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi: os italianos comemoram hoje, com chuva e frio, os 150 anos da unificação e nascimento da Itália.


Os jornais informaram que para a audiência do dia 6 de abril próximo, o réu Berlusconi, por seus advogados que elegeu para o Câmara e para o Senado (um é deputado e o outro senador), arrolou 70 testemunhas.


Por meio de 70 testemunhas o premier quer provar que as “garotas” não eram para programas sexuais. Apenas, participavam de jantares comportados e encontros dançantes promovidos por Berlusconi na sua “villa” localizada na pequena cidade de Arcore, vizinha a Milão.


O defensor Nicolò Ghedini, na peça defesa, afirma que nunca houve bacanais e sim jantares normais.


Do elenco de testemunhas de defesa fazem parte os garçons, os músicos, as arrumadeiras da casa, os agentes de segurança, o mordomo, os motoristas, o caseiro da “villa” e cerca de 30 ex-convidados, entre políticos e modelos de agências que forneciam acompanhantes para festas.


Como já se pode prever, as testemunhas de defesa deverão dizer que as festas eram alegres, sem nunca ter havido relações sexuais. E, ainda, que nunca ocorreu o “bunga-bunga”, como antes dito em depoimento por Ruby: o bunga-bunga, segundo relatos, consistia na formação de uma fila indiana de pelados, intercalados homens e mulheres. A fila, --a imitar uma maquina de trem a puxar comboios--, se movia conforme o ritmo da música e, em paradas intermitentes, havia o contato sexual.


Já se sabe por entrevista do co-réu Lele Mora, -- um conhecido homem da noite e agenciador de garotas e famosos para programas televisivos e para festas--, Ruby, consoante exames já realizados, é bipolar e “vive” de mentiras.


Para a tal “bipolar” já foi arrumado um noivo jovem e apaixonado. E Ruby já está grávida do noivo.


De permeio e recentemente, Ruby prestou depoimentos contraditórios e favoráveis ao premier Berluconi, um homem “santo”, sempre disposto a ajudar os necessitados e com quem nunca manteve relações sexuais. Disse Ruby, também, que o premier ( do qual tinha o número do celular privado e fez inúmeras ligações), efetivamente, imaginava que ela, apesar de marroquina, era sobrinha do então presidente Hosny Mubarack.


--2. Pelo código penal italiano não é crime pagar por programas sexuais. Mas, é crime recrutar, desfrutar ou incentivar uma menor (ou um maior) de idade para uma vida baseada no lenocínio.


No caso do processo criminal contra Berlusconi e segundo a acusação, a marroquina Karima el Mahroug, apelidada de Ruby rubacuore (Ruby rouba coração), participou dos bacanais do premier quando era menor de idade.


Ruby começou a se prostituir na Itália aos 16 anos de idade, ou seja, em setembro de 2009. Do início de setembro de 2009 a janeiro de 2011, -- quando completou 18 anos--, freqüentava as festas-bacanais de Berlusconi e não só em Arcore.


Mara Carfagna, ministra para a igualdade de oportunidades.


Pelos autos, Ruby participou de uma festa na cinematográfica casa do premier na Sardenha. Naquela casa de praia onde o premier da república Checa, na condição de hóspede de Berlusconi, foi fotografado à beira da piscina completamente nu e, com mulheres peladas ao lado, numa crise de priapismo.


--3. Berlusconi é acusado, também, de crime de concussão. Por ter abusado da condição de primeiro ministro, ligou para o departamento de polícia de Milão e pediu a imediata soltura da menor Ruby, que estava detida sob acusação de ter furtado dinheiro de uma prostituta brasileira: foi a prostituta brasileira que ligou para Berlusconi para informar da prisão de Ruby.


A defesa técnica de Berlusconi sustenta que o então presidente egípcio Hosny Mubarack, num encontro de trabalho com o chefe de governo italiano, solicitara para que mantivesse vigilância com relação à sua estimada sobrinha Karima, ou seja, a Ruby.


Bem antes de ser deposto, Mubarack, em nota diplomática de protesto, desmentiu o premier Berlusconi. Disse mais, que não possuía nenhuma sobrinha marroquina.


Como Mubarack foi apeado do poder e dizem ter sofrido um forte derrame cerebral, uma carta rogatória para a sua ouvida em juízo levará, seguramente, anos para ser cumprida. Tudoe com o risco de ser devolvida sem o testemunho de Muraback, por invalidez.


--4. Junto com Berlusconi estão processados: --a) bela Nicole Minetti, de 25 anos e higienista mental de Berlusconi até ter sido eleita vereadora em Milão. Ela foi incluída na lista de candidatos ( foi eleita por constar da lista do partido de Berlusconi) do partido Popolo della Libertà (PDL), liderado pelo premier.Minetti ganhou de presente de Berlusconi, por exemplo, um automóvel conversível, tipo Mini Morris.


–b) O jornalista Emilio Fede, 79 anos, velho amigo de Berlusconi e apresentador do telejornal da Tg4, rede televisiva de Berlusconi. Fede que organizava as festas com Minetti.


–c) Lele Mora, 55 anos, supracitado agente de “vips” para festas e conhecido empresário da noite de Milão.


--3. PANO RÁPIDO. Enquanto a defesa do premier procura desacreditar a acusação criminal feita pelos magistrados do ministério Público de Milão, outro escândalo explode no governo de Berlusconi.


A ministra para a igualdade de oportunidades, Mara Carfagna, --que já pousou nua para várias revistas e calendários antes de ser designada surpreendentemente por Berlusconi para integrar o Conselho de Ministros--, está sendo acusada, pela esposa do líder do premier no Parlamento ( Ítalo Bocchino), de ser sua amante.


Segundo Gabriella Buontempo, todos sabem da história de infidelidade no Parlamento.


Carfagna, cuja competência sempre foi colocada em dúvida e passou um bom tempo aconselhada a não dar entrevistas até concluir um treinamento, ainda não respondeu a Gabriella. Talvez nunca resposra, já que pode alegar tratar-se de uma questão pessoal.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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