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Drogas e violência. Videogame polêmico sobre o mexicano Cartel de Juarez.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de março de 2011.





Juarez (México), Darfur (Sudão) e Mogadíscio (Somália) encabeçam o elenco das três cidades mais violentas do planeta. Os deputados mexicanos, apesar do quadro assustador de violência no país, parecem querer dar mais importância ao secundário do que ao principal.



O Parlamento do México acaba de declarar guerra contra a empresa francesa Ubisoft. E os deputados pretendem que seja proibido o lançamento, previsto para os próximos meses, do videogame intitulado Call of Juarez-The Cartel, episódio III.



Ao contrário dos dois outros jogos lançados e com vendas recordes, o novo game é ambientado na cidade de Juarez, a mais violenta do México, que faz fronteira com a cidade norte-americana de El Paso.



Para se ter ideia, até maio de 2010 mais de 28 mil pessoas foram mortas em razão da War on Drugs decretada pelo presidente mexicano Felipe Calderón. E 23% dos assassinatos consumaram-se em Juarez.



No ano de 2010, 900 mulheres foram executadas em Juarez. Fora 30 jornalistas e 90 crianças.



Segundo os indignados parlamentares mexicanos, o novo jogo passa uma imagem negativa do México para as crianças. No game, o jogador tem de destroçar um cartel de drogas mexicano num cenário rico em violência e sangue, ambientado em Juarez.



Para o deputado mexicano Ricardo Salmon, “é verdade que existe no México um problema difícil com relação ao tráfico de drogas e não escondemos isso de ninguém. Mas não queremos expor as nossas crianças a esse tipo de situação, pois, senão, crescerão com aquelas imagens terríveis e esquecerão os valores que são verdadeiramente importantes”.



Salmon apresentou e teve aprovada uma moção que recomendou ao presidente Felipe Calderón a edição de ato administrativo que proiba a comercialização do game Call of Juarez-The Cartel III.



Para o presidente do Congresso, Henrique Serrano, “as crianças acabam por achar que são normais os atos criminais e acabam facilmente envolvidos neles. Os pais, frequentemente, não ficam atentos àquilo que os filhos jogam e assistem nos vídeos durante a infância. E as crianças, então, pensam que todo esse sangue e todas esses assassinatos são normais”.






Diante da posição do Congresso e temendo evitar uma ilegal censura, o porta-voz da empresa francesa de videogame Ubisoft acaba de sair a campo para esclarecer: “No Call of Juarez-The Cartel tudo é romanceado. E a experiência com o jogo fará o participante sentir-se envolvido mais com um filme de ação do que numa situação da vida real”.



PANO RÁPIDO. Os parlamentares parecem esquecer que no México os cartéis corromperam policiais e se infiltraram no poder. A guerra às drogas deflagrada irresponsavelmente pelo presidente Calderón em dezembro de 2006 provocou, até agora, mais de 35 mil mortes e 70% das vítimas fatais não tinham nenhum vínculo com a criminalidade organizada ou com a questão das drogas proibidas.



Essa triste realidade mexicana é conhecida muito bem pelas crianças e adolescentes. O videogame Call of Juarez-The Cartel, perto dessa tragédia mexicana, não assusta ninguém.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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