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Líbia. Indefinições e derrapadas políticas marcaram a terceira semana de conflitos.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 12 de março de 2011.


Zawiya, vizinha a Trípoli, sob bonbardeio pesado.


--1. Estilingar e atirar pedras no coronel Muammar Kadafi e pedir a sua saída da Líbia virou, nas três semanas de conflitos na Líbia, o esporte predileto dos líderes europeus. Também de Brack Obama e da sua secretário de estado Hillary Clinton.



O grotesco ficou por conta do presidente francês Nicolas Sarkozy.



Na quinta 10, Sarkozy convocou a imprensa para dizer que, --no dia seguinte e por ocasião da reunião de chefes de estado e de governo dos países membros da União Européia (UE)--, apresentaria uma proposta para uma intervenção militar cirúrgica na Líbia.



Em outras palavras, Sarkozy apresentaria uma proposta para bombardear a Líbia.



Tudo, evidentemente, sem atentar ao fato de a Líbia ser um país árabe e membro da Liga Árabe, da União Africana e da Organização das Nações Unidas.



Na reunião de sexta feira 11, no entanto, Sarkozy silenciou com relação a essa sua proposta grotesca. Baseada no antigo sonho de se apresentar como líder europeu. Contra o arroubo de Sarkozy os líbios reagiram. E o colocaram sob a suspeita de Kadafi ter-lhe enviado ajuda financeira para o “caixa2” da campanha presidencial.



Kadafi seria uma nova L´Oréal (empresa de coméstico cuja dona é suspeita de ter contribuído com o “caixa2” de Sarkozy). Segundo os líbios, um dos alvos selecionados por Sarkozy seria o lugar onde estão as provas da ajuda eleitoral.



José Manuel Barroso, presidente da Comissão Européia (espécie de premier do bloco), falou que a crise tem nome, ou seja, Muammar Kadafi, enquanto Obama sustentou, pela enésima vez, a tese da perda legitimação. Em síntese, nada útil, para que se alcance uma solução humanitária, na opinião de Barroso e na tese de Obama.



A chanceler Angela Merkel foi a grande responsável para baixar a crista de Sarkozy. A alemã Merkel é contrária a qualquer tipo de intervenção militar, incluído o estabelecimento da no-fly zone.



Diante do quadro político, dois fatos foram confortantes: (1) Obama declarou, --com todo acerto e para a fúria dos “falcões” republicanos--, que uma intervenção militar depende da aprovação do Conselho de Segurança da ONU, onde China e Rússia são contrários, (2) Os líderes europeus resolveram, finalmente, usar o bom senso. A União Européia vai sugerir uma reunião, para discutir o caso Líbia, com a Liga Árabe e a União Africana.



--2. Outras derrapadas e incoerências políticas ocorreram nesta terceira semana de conflito. A União Européia não mais reconhece o governo de Kadafi. Mas, também não reconhece o governo de transição instalado em Bengazi. Apenas a França reconhece o governo de transição a representar o povo líbio. A UE reconhece apenas uma comissão de transição e para o fim único de manter interlocuções.



No momento em que o Ocidente pede que Kadafi renuncie e deixe a Líbia, os líderes ocidentais esquecem que o Tribunal Penal Internacional, por provocação do Conselho de Segurança, já investiga sobre crimes contra a humanidade consumados por ordem de Kadafi. No exílio e em país que aceita a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, Kadafi poderia ser preso, caso decretada uma prisão provisória pela corte criminal internacional. Como se percebe, Kadafi não pensa em exílio enquanto o TPI estiver a investigar. Fora isso, trata-se de um mitômano, que só tem receio de morrer sem glória.



Uma outra derrapada foi protagonizada pelo novo premier britânico, David Cameron. Ele se comprometeu a apoiar o plano de bombardeamento proposto por Sarkozy, que, como ressaltado acima, nem entrou na pauta da União Européia (UE). Com a brocha na mão e sem escada, Cameron fez a proposta de congelamento dos bens das companhias petrolíferas líbias. A sua sugestão ficou para outra oportunidade, se é que será relembrada.



--3. PANO RÁPIDO. Errou quem apostou, com base nas duas primeiras semanas de conflito, na vitória tranqüila dos rebeldes.



Na terceira semana que acaba de findar, Kadafi mostrou que, com caças aéreos e navios, pode recuperar cidades, incluídas as petrolíferas Rãs Lanuf e Brega (240 km de Bengazi), e evitar uma derrota moral, no caso de tomada rebelde a Sirte, sua terra natal.



Kadafi já se mostra mais forte que os rebeldes. Ele conta com soldados profissionais fortemente armados, guarda pretoriana e cerca de 25 mil mercenários. Do outro lado, estão rebeldes com armas velhas e dificuldades com reposições de peças e munições.

-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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