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Kadafi acusa as potencias ocidentais: querem novamente colonizar a Líbia

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 09 de março de 2011.


Kadafi, ontem, no hotel onde estão jornalistas estrangeiros



--1. Muammar Kadafi muda estratégia e passa a acusar as potências ocidentais e não mais a Al Qaeda.



Até segunda feira passada, Kadafi responsabilizava a Al Qaeda pelas revoltas.



Ontem, Kadafi mudou o alvo e disparou uma campanha de mídia voltada à vitimização. Ou seja, Kadafi tenta mudar a imagem junto ao mundo árabe. Para tanto, apresenta-se como um resistente aos interesses imperialistas, capitalistas, colonialistas. Com isso, tenta neutralizar o apoio dos Emirados Árabes a uma intervenção na Líbia. Mais ainda, objetiva sensibilizar a Liga Árabe e a União Africana.



Num primeiro momento, -- convém recordar --, Kadafi sustentava que os rebeldes eram jovens líbios dependentes de drogas fornecidas pela Al Qaeda. Pelos “jovens viciados” e usados como massa de manobra alqaedista começou, segundo Kadafi, a revolta no leste do país. E no leste, antiga região da Cirenaica, infiltrou-se a Al Qaeda, que manteve “células terroristas dormentes”, frisava o coronel Kadafi.



Jamais admitiu Kadafi uma revolta por liberdade. De os jovens desejarem o fim da tirania e uma Líbia democrática. No fundo, os mesmos anseios que levaram à queda do ditador Hosny Mubarak, no Egito.



Nessa primeira colocação diversionista, Kadafi recorreu ao velho sonho de Osama bin Laden. Em outras palavras, a jihad de reconquista islâmico-sunita do Magreb: a região do Magreb, no norte da África, é composta por Líbia, Marrocos, Argélia, Mauritânia e Saara Ocidental.



Com França, Grã-Bretanha e EUA, a pressionar por uma intervenção militar, com interdição de vôos ( no-fly zone), Kadafi, a partir de ontem, fala numa tentativa de aniquilar com a independência conquistada em 1951: -“Querem voltar a nos colonizar. Existe um complô colonialista”.



--2. O novo discurso kadafiano dá razão ao presidente Barack Obama no que toca a deixar para o Conselho de Segurança das Nações Unidas as decisões sobre intervenção.



Na invasão do Iraque e na intervenção do Afeganistão, o ex-presidente George W. Bush, um republicano, despertou o ódio dos fundamentalistas islâmicos e colheu a desaprovações dos moderados.



Num discurso afinado com Obama, a secretária de estado Hillary Clintou acaba de declarar que a implementação de uma zona de proibição de navegação aérea (no-fly zone) na Líbia dependerá de uma decisão do Conselho de Segurança e não de resolução unilateral dos EUA.



--3. O jogo de informações e contra-inteligência prossegue.



Os 007 ocidentais falam que hoje três aviões partiram de Trípoli com aterragem programada para Viena e Atenas. A bordo estariam representante de Kadafi autorizados a tratar de um acordo de paz.



Pelo que já se sabe, um dos aviões aterrou no Cairo e os dois outros em Bruxelas onde, amanhã e na sexta-feira, estarão reunidos os ministros do Exterior dos países membros da União Européia (quinta feira) e os chefes de governo (sexta-feira).



Em Bruxelas, ainda não se sabe o que fará a delegação de Kadafi, se verdadeira a informação de chegada de dois aviões em Bruxelas.



--4. Só para recordar e em face do discurso de Kadafi sobre um novo colonialismo:



--a) em 1911, a Itália conquistou três regiões pertencentes ao império Otomano: Tripolitânia, Cirenaica e Fezzan.



O domínio italiano durou 30 anos.



O retiro das tropas de ocupação ocorreu em 1943.



Dos 100 mil líbios colocados em campos de concentração pelos italianos, morreram 40 mil: as principais causas foram falta de alimentação, epidemias e mortes em frustrados levantes.



Em face disso, a Itália celebrou recente acordo (Tratado de Amizade) com Kadafi e isto para indenizar pelo período colonial e pelas mortes. Referido Tratado foi celebrado no governo Sílvio Berlusconi, em agosto de 2008: durante 20 anos a Itália comprometeu-se a pagar à Líbia 5 bilhões de dólares.



--b) a partir de 1943 e até 1951, a região foi ocupada por um consorcio formado por tropas militares franco-britânicas.



--c) em 1951 ocorreu a independência da Líbia e foi instaurada uma monarquia sob governo do rei Idris: o herdeiro presuntivo reside na Europa. Ele está disposto a voltar e instalar um regime semelhante à Espanha: monarquia-parlamentar.



--d) em 1969, Muammar Kadafi, um desconhecido capitão do Exército do rei, promoveu um golpe militar e proclamou a Líbia como “república socialista islâmica”.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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