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Kadafi luta contra o tempo. Rússia e China contra a intervenção militar. França e Grã-Bretenha apresentarão projeto de intervenção ao Conselho de Segurança

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 08 de março de 2011.


Bandeira de antes da era Kadafi empunhada por rebeldes


--1. A principal batalha do ditador líbio Muammar Kadafi é contra o tempo.



Enquanto as grandes potências não se acertam sobre uma intervenção militar na Líbia, o coronel Kadafi intensifica os ataques voltados a reconquistar territórios e até retomar no leste a cidade Bengasi (região da antiga Cirenaica), onde tudo começou.



O contra-ataque das milícias de Kadafi causa desespero nos opositores. O governo rebelde de transição pediu apoio ao senado dos EUA e, pela desconfiança, expulsou uma delegação britânica: uma delegação fantasma que chegou sem avisar de helicóptero. Não usou o aeroporto controlado pelos rebeldes em Bengasi nem pediu autorização para ingresso em espaço aéreo.



França e Grã-Bretanha estão com um projeto pronto para intervenção na Líbia.



Pelo que se sabe, trata-se da implantação da “no-fly zone”. Uma zona de proibição de navegação aérea e, evidentemente, destinada a manter em terra a aviação militar de Kadafi.



O projeto franco-britânico prevê (1) radares de vigilância; (2) uso de aviões não pilotados (tipo Global Hawk) para recolhimento de informações no espaço aéreo líbio e (3) bases para saída de aviões de caça em Malta, Creta e Sigonella (Sicília-Itália). Não se exclui o apoio da 6ª Frota dos EUA.



Esse supracitado projeto já conta com o apoio dos Emirados Árabes, cujo representante fala em urgente proteção ao “povo da Líbia”.



Rússia e China — que podem vetar e liquidar o projeto no Conselho de Segurança das Nações Unidas — são contrários a qualquer intervenção militar. Mas, se a Liga Árabe e a União Africana apoiarem o “no-fly zone” sob fundamento em proteção a direitos humanos, Rússia e China podem mudar de posição.



A propósito, Kadafi diz que não perpetra crimes contra a humanidade, apenas reage à agressão dos rebeldes, como fazem outros países. Citou, como exemplo, ações de Israel na Palestina.



Na próxima quinta-feira, em Bruxelas, os ministros das pastas da Defesa da União Europeia terão reunião com o secretário-geral da Nato, Anders Fogh Rasmussen. No dia seguinte, os primeiros ministros europeus debaterão a questão da Líbia: Berlusconi, amigo de Kadafi, pisa em ovos. Hoje, a imprensa italiana informou sobre os investimentos dos chamados “fundos soberanos líbios” na Itália.



a) 2,01% na Finmeccanica pela Libyan Investment Authority (LIA).



b) 4,61% na Unicred (segundo banco italiano) pelo Banco Central da Líbia.



c) 2,59% na Unicred pela LIA.



d) 1% na estatal ENI (energia da Itália) pela LIA. e) 7,5% na sociedade esportiva Juventus de Turim, pela Lybian Arab Foreign )LAF).



f) 33% na esquadra de futebol da Triestina (onde jogou o filho de Kadafi) pela LAF: http://maierovitch.blog.terra.com.br/2010/07/13/filho-de-kadafi-da-calote-na-riviera-justica-condena-e-embaixada-nao-paga/



2. Kadafi sabe que a Nato, pelo boca do seu secretário-geral Anders Fogh Rasmussen, solta frases de efeito e voltadas a conquistar o apoio da opinião pública quanto a uma intervenção na Líbia. Essa intervenção, conforme o New York Times de hoje, também poderá ser terrestre.



Para Rasmussen, “os ataques contra a população civil, se continuarem, tipificarão uma violação ultrajante aos direitos humanos e um crime contra a humanidade. Por isso, não posso imaginar que a ONU e a comunidade internacional permaneçam com os braços cruzados”.



Enquanto isso nos EUA, os republicanos pressionam Barack Obama para capitanear uma intervenção militar na Líbia. Como sabe até a estátua de Liberdade, os republicanos querem que Obama imite Bush júnior, mentor da aventura no Iraque.



Sobre a proposta republicana de imediata implantação da “no-fly zone”, o chefe de gabinete de Obama incumbiu-se da resposta: “Por aqui (EUA) existe um pessoal que fala em no-fly zone como se fosse um videogame”.



PANO RÁPIDO. O presidente Obama não vai repetir George W. Bush. O presidente norte-americano continuará a pressionar, mas os EUA não tomarão qualquer iniciativa caso o Conselho de Segurança da ONU não aprove a intervenção militar que, se sair, terá roupagem humanitária. E o ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, foi contundente: “Os líbios devem resolver os seus problemas sozinhos, sem intervenção estrangeira”.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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