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Kadafi investiu fundos soberanos da Líbia em estatais estrangeiras e multinacionais. Congelar bens tornou-se tarefa difícil sem quebrar empresas

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 7 de março de 2011.



Kadafi quando visitou Obama.



–1. Em entrevista dada ontem, o ditador Muammar Kadafi, entre delírios persecutórios e espertezas, avisou que a decisão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de bloqueio dos seus bens não lhe afeta em nada.



Kadafi avisou, ainda, que, –como único bem de valor patrimonial–, tem uma tenda. Está armada em Trípoli e onde mora.



No regime de Kadafi não há distinção entre o público e o privado. Os investimentos são ordenados pelo ditador.



O ditador líbio Kadafi, — que como capitão liderou o golpe militar que derrubou a monarquia (1969)–, controla todas as finanças do seu país. Por isso, a Líbia investiu, para evitar a falência, até na italiana Fiat. E ainda tem ações da esquadra futebolística da Juventus de Turim.



No poder, Kadafi criou os “fundos soberanos da Líbia”. E tem “grana” dos fundos soberanos até na Pearson, que é a sociedade que edita o Financial Times.



Na supracitada entrevista, – destaque nos jornais europeus–, Kadafi toca num ponto embaraça alguns estados-membros da ONU como, por exemplo, EUA, França, Alemanha e Grã Bretanha. Reino Unido.



Mais ainda, como cumprir a decisão do Conselho de Segurança de “congelar” ativos da Líbia sem quebrar multinacionais ?



Só na Europa, os investimentos com os "fundos soberanos da Líbia" somam US$340 bilhões.



Alguns exemplos revelam a razão de ter havido, —depois da resolução do Conselho de Segurança da ONU–, apenas o bloqueio de US$30 bilhões:

–a) nos EUA, capital dos “fundos soberanos da Líbia” integram os ativos da Xérox, Pfizer, Halliburton ( a petrolífera já comandada pelo ex-vice presidente dos EUA, o influente Dick Cheney), Móbil, Chevron, etc, etc,



–b) na França, idem, ou seja, capital líbio a impulsionar a Electricité de France (EDF), Alcatel-Lucent, etc, etc.



–c) na Alemanha e mega Siemens tem capital integralizado com “fundos soberanos da Líbia”.



–d) A Grã-Bretanha num consórcio junto com a França administrou de 1945 a 1951 a Tripolitania, Cirenaica e Fezan (antigas regiões do império Otomano. A Itália explorou essa região de 1911 a 1943 e a Líbia se tornou independente em 1951). Hoje, a Grã-Bretanha, feito o cotejo com outros estados, é a maior dependente financeira dos tais “fundos soberanos da Líbia”: Shell-Royal Dutch, Vodafone, Glaxo SmithKline, Perason, Standard Chartered, Bp, etc.



–e) Na Itália, temos a ENI (energia), Unicred (segundo maior banco), Finmeccanica, etc.



Segundo analistas econômicos, os “fundos soberanos da Líbia” aportados na Europa não são inferiores a US$340 bilhões.



–2. Para manter a pressão, o presidente Barack Obama, — que já sugeriu a Kadafi a renúncia por ter perdido a legitimação –, frisou, ontem, que a Nato não descartou a possibilidade de intervenção militar humanitária.



No momento, Kadafi destacou uma brigada, comandada pelo filho militar, para retomada de cidades estratégicas como, por exemplo, Bem Jawad, distante 40 km de Trípoli.



A maior concentração militar é mantida em Trípoli para evitar a queda da capital do país.



A contra-ofensiva de Kadafi é sentida pelos rebeldes que pedem, de imediato, (a) o controle internacional do espaço aéreo para evitar a navegação por caças e helicópteros sob ordens de Kadafi, (b) ajuda humanitária, com a criação de um corredor para circulação de alimentos, remédios e transporte de feridos, (c) controle internacional do mar territorial com proibição de naves de guerra sob comando de Kadafi no litoral da Líbia.



–3. PANO RÁPIDO. Se Kadafi não cair e retomar o controle do leste (Cirenaica), onde estão as petrolíferas, haverá um abalo geoeconômico no planeta. Um planeta composto por grande potenciais que aceitam capitais sujos de sangue derramado por opositores das tiranias.

– Walter Fanganiello Maierovitch–


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