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Drogas sintéticas. Alarme da Incb. Risco Brasil.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, 3 de março de 2011.





--1. O relatório da International Narcotics Control Bord (Incb) para 2010 é preocupante. Ele fala em “boom” de drogas sintéticas.


Esse órgão das Nações Unidas, nascido em face da Convenção de 1961, aponta para um aumento extraordinário de oferta e de demanda de drogas sintéticas.


Na Europa, foram identificados 16 novos tipos de drogas sintéticas com componentes proibidos.


A surpresa ficou por conta do Japão em termos de variedade, ou seja, foram encontradas 51 novas fórmulas sintetizadas de drogas proibidas. Lógico, com riscos à saúde dos consumidores.


Como se sabe, a produção das drogas sintéticas é muito mais veloz do que o da cocaína. A folha de coca só é encontrada nos Andes. Da matéria prima (folha) à elaboração do cloridrato de cocaína o caminho é longo. E a colocação em mercados distantes tem custo elevado e risco de extravios e apreensões policiais. A droga sintética pode ser produzida até em laboratório de fundo de quintal e ofertada no próprio país de elaboração.


No Brasil, as “balas” (nomenclatura para drogas sintéticas dada nas discotecas e festas) ingressam pelo Paraguai, que as recebe principalmente da Holanda. Elas entram pelo Mato Grosso do Sul e Paraná.


O grande problema das sintéticas é a impureza e o desequilíbrio na composição. Qualquer curioso pode fazer um “coquetel” usando, por exemplo e como potencializador, substância isolada do veneno de matar rato vendido em supermercado.


O Brasil possui a maior indústria químico-farmacêutica da América Latina e está localizada no eixo Rio de Janeiro-São Paulo. E é quase inexistente a fiscalização sobre a comercialização e a circulação dos insumos químicos. Assim, o Brasil tem potencial para se transformar em país de elaboração e oferta de drogas sintéticas.


--2. O relatório da Incb menciona o problema gerado pela oferta e pelo aumento preocupante da demanda do crack no Brasil.


Até as pedras das ruas da Cracolândia paulistana sabem que a pasta base de cocaína usada na confecção do crack provém da Bolívia. Para a elaboração da pasta-base são necessários insumos químicos e a Bolívia não possui indústria química. Os insumos são ofertados pelo Brasil. Em síntese, existe uma via de dupla-mão: o Brasil envia insumos e a Bolívia devolve em pasta-base usada na formação da pedra de crack.


--3. Um dos alertas contidos no relatório da Incb diz respeito à corrupção policial, que aumenta. Para nós brasileiros isso ficou bem claro na recente Operação Guilhotina. A Guilhotina, com 36 policiais presos, revela a atuação da banda-podre da polícia do Rio de Janeiro. Com policiais pilhando nas favelas e quando das operações repressivas que precedem à instalação de unidade pacificadora (UPPs), cocaína, maconha, armas e munições. E o obtido na pilhagem, como mostrado na Operação Guilhotina, é posteriormente vendido para as milícias ou para as organizações criminosas.


Situação de banda-podre policial pior do que a fluminense é a encontrada no México e as forças de ordem estão na “gaveta” dos cartéis. A corrupção policial e a violência constam do relatório da Incb que, no particular, aponta para a situação do México, com o presidente Felipe Calderon a promover a sua trágica “war on drugs”: 28 mil mortos de 2006 a 2010, consoante grafado no relatório da Incb.


--4. O consumo de cocaína, desde 2009, estabilizou-se nos EUA, que é o maior consumidor mundial. Na Europa, o consumo de cocaína cresce. Um fungo nos campos de plantio de papoula no Afeganistão foi o responsável pela queda na oferta do ópio e da heroína : da cápsula da paoula se extrai o ópio (suco em grego).

-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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