São Paulo,  
Busca:   

 

 

Agora

 

Líbia. Conselho de Segurança decepciona e opta por sanções que não impedem o prosseguimento dos massacres a civis

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 28 de fevereiro de 2011.



reunião do Conselho de Segurança




1. Esperava-se bem mais do Conselho de Segurança das Nações Unidas, na reunião extraordinária de ontem, 26 de fevereiro.



As propostas cogitadas (confira-se post abaixo), empurradas para outra ocasião pelo Conselho reunido ontem, tinham um conteúdo humanitário. Elas visavam estancar o banho de sangue promovido por Kadafi, banho de sangue este considerado um crime contra a humanidade.



As propostas, informadas com exclusividade neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, visavam a implantação, pelas forças da Aliança do Atlântico Norte (Nato), de zonas de exclusão e de modo a controlar espaços. Ou melhor, impedir deslocamentos de aviões, helicópteros e navios destinados, por ordem de Kadafi, a bombardear e metralhar os revoltosos e as cidades por eles conquistadas.



O Conselho de Segurança preferiu, com resistência forte da China e Russia, provocar o Tribunal Penal Internacional (TPI) em face da consumação na Líbia de crimes conte a humanidade. Em outras palavras, o Conselho passou a bola para o TPI e não percebeu a incongruência: afirma a existência de crimes contra a humanidade, mas não toma medidas emergênciais efetivas, concretas, para impedir as consumações em curso.



Por outro lado, o Conselho, por resolução, promoveu embargos para as vendas de armas e munições na Líbia. A resolução bloqueia bens e cartões de crédito de Kadafi, dos filhos, parentes próximos e da “equipe” do ditador composta por 22 pessoas. Também foram congelados os bens do chefe das Forças Armadas, do ministro da Defesa e do chefe da Agência de Inteligência.



Em resumo, a



resolução não impedirá o prosseguimento dos massacres. 2. Começa amanhã um périplo de líderes mundiais para Genebra. Eles comparecerão à reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Um Conselho que já aceitou a Líbia para integrá-lo.



O presidente dos EUA, Barack Obama, que ontem falou pela primeira vez na falta de legitimação de Kadafi para prosseguir no governo da Líbia, estará em Genebra e vai discursar.



Além de Obama, falarão o secretário-geral da ONU e a secretária-geral de Estado norte-americano, Hillary Clinton.



Pano Rápido. Quando o Ocidente, a partir do final dos anos 1970, começou a salvar a sua economia com investimentos de Kadafi, esquecia-se que negociava com um ditador. Por exemplo, investimentos de Kadafi salvaram a italiana Fiat. À época não se falava em ditadura nem na falta de legitimação: o nacionalismo transformou-se, em alguns países do Oriente Médio, em ditaduras. Kadafi disfarçou a Líbia em república, ou melhor, numa república de fachada.



Recentemente, o sanguinário Kadafi visitou e trocou aperto de mão com Obama. Na Itália e França, o tirano teve atendidas extravantes exigências. Assim, conseguiu montar, quando em visita, tenda nos parques franceses e italianos. Mais ainda, na Itália Kadafi escolhia e pagava agências de modelo para enviar jovens (sem pintura, mas com vestidos colados, curtos, e sapatos de salto alto) a fim de ouvirem suas indigestas palestras sobre seu Livro Verde e a sua pessoal interpretação sobre o Corão.

Wálter Fanganiello Maierovitch .........................


RETROSPECITIVA : 26 de feveriro de 2011


Hoje no período vespertino o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reúne-se para discutir a chamada “emergência Líbia”.



A preocupação é estancar os genocídios que estão sendo consumados por Kadafi, sua guarda pretoriana e os mercenários. Estes, com ordem para matar qualquer pessoa suspeita de participar da revolta contra o regime tirânico do coronel.



No “pacote” ONU constam, segundo apurado por este blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, quatro medidas dadas como urgentes. São as seguintes:



–1. No Fly Zone.



Não deixar decolar aviões e helicópteros líbios.



A meta impedir que Kadafi continue a usar a aviação para bombardear e fuzilar os revoltosos e a população civil.



Faz parte do objetivo, também, impedir, como já constatado, a chegada de novos mercenários, que estão sendo contratados por Kadafi a peso de ouro.



O patrulhamento será realizado por aviões não tripulados: Global Hawk. Estes enviaria imagens a gerar a decolagem de caças militares da Nato.



As bases para decolarem aviões da Nato da missão “No Fly Zone” ainda não são conhecidas.



–2. No Drive Zone



O “no drive zone” impedirá, ainda, os deslocamentos de tanques e blindados. Caso se coloquem em trânsito serão alvejados por “raids” disparados de aviões da Nato.



–3. No Sail Zone



A meta é impedir a navegação marítima. Ou seja, que fragatas de guerra, — como as duas que estiveram estacionadas e bombardearam Bengasi ( Leste e região da antiga Cyrenaica)–, façam deslocamentos e fundeamentos em baías do litoral líbio.



–4. Corredores Humanitários.



Tropas da Nato, com soldados de países que irão participar da aliança, ficarão em prontidão para a abertura de “corredores humanitários” . Isto para escoamento de estrangeiros e pessoas em situação de risco, diante de ataques das tropas que apóiam Kadafi.



Pelas análises feitas pelas agências de inteligência do Ocidente, o coronel Kadafi tentará realizar massacres para impor uma negociação voltada à preservação, sob seu controle, da antiga região da Tripolitânia, onde está a capital Trípoli: são três as regiões, antes centros do império Otomano, que foram fundidas sob o designativo de Líbia: Tripolitânia (Oeste), Cyrenaica (Leste e com Bengasi como maior cidade) e Fezan (sul e tribal).



O Saif al-Islam Kadafi que está na Líbia é o filho mais novo de Kadafi. Ele vive e estuda na Alemanha. Agora, em Trípoli, virou o porta-voz do pai.



Saif al-Islam, desde ontem, tenta um acordo internacional para preservar parte do poder do pai ditador e tirano. Ele saiu a campo ao saber que a Alemanha e a França pediram, junto ao Conselho de Segurança da ONU, sanções econômicas e militares contra a Líbia.



Enquanto o cerco internacional prepara-se para se fechar, algumas medidas pontuais foram adotados. Os EUA, por exemplo, bloquearam as contas bancárias e os cartões de crédito de Kadafi, dos seus filhos, e de dez ministros e militares fiéis ao ditador. Em Bruxelas, a União Européia reservou 3 milhões de euros para ajuda humanitária.



–Wálter Fanganiello Maierovitch–


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet