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Líbia. Tribunal Penal Internacional abrirá investigação. Comissão de Direitos Humanos reunida. Jalil lidera governo transitório

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 28 de fevereiro de 2011.


Procurador do TPI, Luis Moreno O-Canto






–1. Uma radiografia de momento mostra ter o coronel Muammar Kadafi perdido o governo do território da Líbia, com exceção da capital Trípoli, da sua terra natal Sirte e de algumas áreas tribais: mediante acordo a peso de ouro, Kadafi voltou a contar com apoio da tribo de Zawiya (oeste de Trípoli), cujo líder pediu, no começo da revolta, a sua renúncia por não conseguir guiar o povo.



Enquanto os revoltosos se organizam e declaram haver um governo provisório no comando do país, o cenário internacional mostra disputas em busca de protagonismo.



Em Genebra, onde está em curso a sessão anual do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a secretária Hillary Clinton aproveitou para disparar contra Kadafi: - “ Com as suas ações, Muammar Kadafi perdeu a legitimidade para governar e o povo expressou claramente a vontade para que vá embora imediatamente”.



Hilary, no seu pronunciamento, frisou haver Kadafi usado “mercenários e criminosos” contra o seu próprio povo. A secretária de Estado ressaltou que a “primavera árabe é uma estação de esperança”. E arrematou: - “Direitos humanos, democracia e desenvolvimento, são valores ligados de forma indestrutível”.



Enquanto Hillary Clinton se pronunciava na sessão anual do Conselho de Direitos Humanos (um Conselho que já teve a presença da Líbia de Kadafi), o chefe do Ministério Público junto ao Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, que é argentino, declarava que determinará a abertura, nos próximos dias, de uma investigação sobre crimes contra a humanidade e genocídio na Líbia.



Como se sabe, a resolução número 170 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, aprovada no sábado por unanimidade e a versar sobre embargos à Líbia, solicitou apurações pelo TPI.



–2. O autoproclamado governo provisório da Líbia, sediado em Bengasi e que passou a ser chamado de “Conselho Nacional Transitório” já tem até porta-voz.



Trata-se de Hafiz Ghoga, ligado a Mustafá Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça de Kadafi e um dos primeiros a renunciar e apoiar o movimento rebelde iniciado no Leste, na antiga região da Cyrenaica.



Como se nota, os dois lados em disputa fazem uso de porta-voz. A propósito, Ibrahim Moussa, porta-voz de Kadafi, acaba de soltar uma nova ameaça, a revelar desespero na simbólica Bab el Azizia, onde os americanos realizaram o histórico bombardeamento de 14 de abril de 1986 : - “Se os imperialistas ocidentais nos atacarem, teremos milhares de mortes. O Ocidente quer o nosso petróleo e a Al Qaeda quer uma base no Mediterrâneo para ameaçar a Europa”



No momento, Mustafá Abdel Jalil, o ex-ministro da Justiça de Kadafi, apresenta-se como o líder do “Conselho Nacional Transitório”. Esse Conselho é composto por 15 membros e, dentre eles, 5 mulheres. Todos os conselheiros são da área jurídica, ou seja, juízes e advogados. Nada de generais pois só queremos civis, diz o porta-voz.. Os militares líbios precisam aceitar o governo dos civis, como sucede nas democracias, sustenta Mustafá Abdel Jalil, o ex-ministro da Justiça que trocou de barco.



Jalil promete instaurar uma democracia na Líbia e afirma que eleições livres serão realizadas em três meses. Ele é contra qualquer tipo de intervenção internacional e declarou não ter feito nenhum contato com governos de outros países.



Segundo o porta-voz Hafiz Ghoga, a Arabian Gulf Oil, que explora petróleo na região Leste (Cyrenaica-Bengasi) ,voltou a operar regularmente e já partiu o primeiro petroleiro carregado para a China.



–3. PANO RÁPIDO. A União Européia, na linha dos EUA e do Conselho de Segurança, acaba de aprovar um pacote de medidas contra Kadafi. Nada de novo com relação ao estabelecido na resolução 1970, votada sábado na ONU.



No meio diplomático, destaca-se Abdurrahim, ex-embaixador da Líbia. Ele renunciou ao cargo e, do palácio de Vidro de Nova York, comparou Kadafi aos fascínoras Hitler e Pol Pot.



Shalgan, de 62 anos, serviu a Kadafi de 1984 a fevereiro de 2011. É outro que mudou de barco e, pelo jogo hipócrita, está sendo incensado pela ONU e pelos EUA.



–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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