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Líbia. Revolta de jovens. Kadafi esquece Lênin e solta os seus mastins

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 22 de fevereiro de 2011.
Kadafi.



Os jovens protagonizam a revolta na Líbia. Kadafi retornou do deserto e mandou soltar os “mastins” para atacar os revoltosos. Mais de mil opositores executados.


--1. As especulações sobre a fuga de Maummar Kadafi tinham fundamento. Ontem, ele ficou sumido e só enviou mensagens.


Diante da intensificação das manifestações nas ruas, praças e áreas tribais, com o palácio do Povo e uma das suas casas incendiadas, Kadafi recolheu-se, para refletir, numa das suas centenas de tendas no deserto.


O tirano Kadafi deixou o filho, Saif al-Islam, a guardar a cadeira de chefe-supremo da revolução ( um golpe militar) consumada com a queda do soberano Mohammed Idris al-Senussi e implantação de uma ditadura.


Hoje, Kadafi voltou do deserto com a mesma sede assassinada quando, em 21 de dezembro de 1988, autorizou a derrubada, pelo agente Al-Megrahi, do avião Boing com 270 passageiros à bordo. O avião cortava os céus de Lockerbie (Escócia) quando da explosão.


Pelas notícias que acabam de chegar da capital Trípoli, os bombardeamentos com aviões de caça e a técnica de “raid” com emprego de helicópteros levaram à morte mais de mil opositores de Kadafi.


Só em Trípoli, segundo a Al Jazeera (única agência com autorização para atuar no Líbano), cerca de 100 pessoas foram executadas.


Não bastasse, Kadafi soltou os seus “mastins”. Ou seja, o tirano tem à sua disposição mais de mil mercenários africanos para os trabalhos sujos. E os mercenários, -- que os líbios associam pela violência aos cães de raça mastim--, foram enviados para as principais zonas de conflito. Eles esfaqueiam e metralham os revoltosos.


Todos sabem que Kadafi é um mitômano e, como tal, não fugiria para outro país: ontem, o secretário britânico especulou com uma fuga à Venezuela. O mitômano, como se sabe, não se preocupa com a morte, mas que ela seja ela gloriosa. Hoje, na televisão estatal, Kadafi se auto- intitulou líder revolucionário e que ficaria no comando da revolução até a morte.


Na tenda onde esteve a meditar Kadafi, seguramente, não releu Lênin, que sabia tudo sobre revoluções.


Em 1920, Lênin escreveu: “ Somente quando as ‘classes inferiores’ não querem viver à maneira velha e as ‘classes superiores’ não podem sustentar a maneira velha de viver é que a revolução pode triunfar: a revolução é impossível sem uma crise nacional a afetar tanto os explorados como os exploradores”. Ora, na Líbia todos os ingredientes favorecem à queda de Kadafi.


Hoje, na reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o tirano Kadafi vai amargar uma derrota. Tanto sabe disso que, pela televisão, já começou a falar do interesse de EUA e Itália (antiga colonizadora e que recebe por gasoduto petróleo) na sua queda. E ele falou que vai derrotar os drogados dissolutos (alusão aos norte-americanos) e jamais renunciará. Segundo avalia o tirano Kadafi, os manifestantes são como ratos e se subordinam as agências de inteligência do Ocidente, todas interessadas na sua queda e no fim da revolução.


--2. O movimento de descontentamento na Líbia não tem, como no Egito e na Tunísia, lideranças conhecidas. Sabe-se que a revolta teve início entre os jovens, estes inconformados com a falta de liberdade e a opressão do regime conduzido por Kadafi. Isso explica a quantidade de jovens mortos até agora. Eles é que iniciaram e tocam as manifestações para a derrubado do tirano.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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