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60% dos eleitores residentes na Itália querem a imediata queda de Berlusconi e a volta ao decoro

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 16 de fevereiro de 2011.



Ruby, reina em Milão.


--1. Na madrugada de hoje, o respeitado jornalista Giovanni Floris, condutor do programa televisivo de debates políticos intitulado Ballarò (RAI-3), leu, para delírio do auditório lotado, o resultado de uma pesquisa feita por amostragem.



Pela pesquisa, 60% dos eleitores residentes na Itália querem a imediata renúncia do primeiro-ministro Sílvio Berlusconi.



--2. A maioria dos italianos clama por decoro no exercício do cargo de premier. Também por ética pública na condução do governo e pelo fim da “meritocracia” instituída do Berlusconi.



Na meritocracia berlusconiana só são abertas oportunidades às detentoras de corpos sexualmente esculturais e desfrutáveis.



Não precisa ser italiano para perceber que a boa imagem internacional da Itália só será recuperada com a substituição do atual chefe de governo.



--3. Não só as orgias do premier incomodam e envergonham a Itália.



Berlusconi confunde o público com o privado e, permanentemente, finge não perceber o conflito de interesse entre os seus negócios empresariais e os das estatais italianas.



O premier se coloca como vítima de uma Magistratura voltada, segundo afirma, a cassar a vontade popular expressa por votos e derrubá-lo por sentenças.



O certo é que Berlusconi, -- que só fala em vontade da maioria e preservação do sistema democrático--, quer usar isso como escudo de impunidade. A experiência brasileira mostra que o então presidente Fernando Collor de Mello, eleito com grande votação, acabou cassado por fato ocorrido quando no exercício do cargo de presidente da rpública.



No momento, Berlusconi estuda numa manifestação de praça.



Por evidente, ele tentará se contrapor à manifestação de domingo passado onde mulheres, espontâneamente, sem bandeiras de partidos políticos, sem líderes, pediram respeito, dignidade , liberdade e a renúncia de Berlusconi.



As manifestações ocorreram em 230 cidades italianas e, só em Roma, 1,0 milhão de mulheres estiveram na praça do povo em protesto.



Os dois advogados do premier, --que são deputados e foram colocados na lista de candidatos por determinação de Berlusconi (na Itália se elege por lista do partido)--, falam em incompetência funcional e territorial da juíza que recebeu as acusações e determinou um rito processual mais rápido do que o ordinário. Pela decisão da juíza de instrução preliminar (gip), o processo tramitará num Colégio julgador e composto por três magistradas.



--4. Berlusconi é réu (imputado) a partir de ontem.



Antes era investigado pela magistratura do ministério Público de Milão por “concussão” (grosso modo, abuso de função com exigência) e desfrutamento de “prostituição infantil”, no caso da marroquina apelidada de Ruby Rubacuore (Ruby-Ruba-coração).



Os advogados, -- sem corar--, sustentam que Berlusconi agiu como primeiro-ministro quando interferiu na soltura da menor Ruby (estava presa por furto no departamento de polícia).



Só para lembrar, Berlusconi, com o celular do seu agente de segurança, telefonou para o departamento de polícia de Milão (Questura). Então, falou que Ruby era sobrinha do presidente Mubarack e que poderia haver um rompimento diplomático prejudicial à Itália, caso não fosse colocada a menor em liberdade.



A mentira era tamanha que Berlusconi achou que a marroquina Ruby fosse egípcia. O então presidente Mubarack enviou nota diplomática de protesto. Negou parentesco e reprovou as declarações de Berlusconi de que, certa vez, ele havia lhe pedido para que tomasse conta da sobrinha.



Parêntese. Ruby era prostituta, comparecia apesar de menor idade às orgias (bunga-bunga) nas residências do premier. Ruby tinha o número do celular de Berlusconi e trocava com ele, antes da prisão (detenção) mensagens (mais de 200 estão comprovadas).



Depois do telefonema ao departamento de polícia, Berlusconi envio para lá a sua antiga higienista bucal Nicole Minetti: por determinação de berlusconi ao partdido, Minetti foi colocada na lista de candidados à vereança e se elegeu pela votação obtida pela coligação partidária.



A menor Ruby liberada sob custódia a Minetti. Berlusconi foi participado da soltura de Ruby. No primeiro quarteirão depois do departamento de polícia (Questura), Minetti se despediu de Ruby e esta seguiu na companhia da prostituta com a qual morava: essa prostituta foi quem avisou Berlusconi da prisão de Ruby e de riscos de vazar ligações do premier com uma menor de idade. Como se nota, Berlusconi velava “pela sobrinha de Mubarack”, como disse ter prometido a ele.



--5. Para a juíza de instrução preliminar Cristina Censo, --que recebeu a acusação a colocar Berlusconi como réus por crimes de desfrutamento de prostituição infantil e concussão--, não houve no episódio Ruby, pela prova revelada no curso das investigações, atuação de Berlusconi como premier, mas no interesse privado.



Assim sendo, concluiu pela competência do Colégio Judiciário da quarta seção do Tribunal de Milão, composto pelas juízas Carmen D’Elia, Orsolina De Cristofaro e Giulia Turri. Afastou, como decorrência, a competência do Tribunal de Ministros (outro órgão judiciário).



Berlusconi e os seus advogados-deputados sustentam que por ter Berlusconi atuado como premier a competência para apreciar o caso é do Tribunal de Ministros (órgão judiciário com juízes sorteados).



É a tese que interessa a Berlusconi. Isto porque o Tribunal de Ministro, para processar e julgar Berlusconi, precisa de autorização do Parlamento. E no Parlamento o premier Berlusconi tem maioria, ou seja, não seria dada autorização.



--6. PANO RÁPIDO. Berlusconi não vai comparecer ao Colégio Judiciário. Quer enviar o caso para o Tribunal de Ministros, que, para processa-lo, precisa de autorização do Parlamento, de maioria berlusconiana.



Em síntese, ele não quer ser processado. Até porque não abrirá mão da autorização do Parlamento, no caso de ser reconhecida, pela Corte Constitucional (será acionada), a competência do Tribunal de Ministros.

-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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