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Operação Guilhotina. Secretário Beltrame fecha o cerco contra a corrupção policial.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 14 de feveriro de 2011.


Beltrame, põe ordem na casa.




1. O secretário José Mariano Beltrame, mais uma vez, demonstra competência.



Ontem, o jornal O Globo, na página 18 em matéria sobre a Operação Guilhotina (presos 2 delegados, 19 policiais militares e 7 policiais civis, num universo de 35 prisões preventivas), destacava em negrito: “Beltrame diz que confia em Turnowski”.



Só para lembrar: Allan Turnowski é o chefe da Polícia Civil e a Operação Guilhotina de sexta feira 11, depois de mais de ano de investigação, descobriu quatro quadrilhas em operação. As quatro quadrilhas eram compostas por policiais estaduais corruptos e próximos à cúpula da Segurança Pública. Uma dessas quadrilhas se apropriava de produtos de crime apreendido em operações policiais e está sob suspeita de ser comandada pelo delegado Carlos Antonio Luiz de Oliveira. O delegado de polícia Carlos Antonio Luiz de Oliveira, já integrante da cúpula da polícia civil estadual, comandava, até ontem, a municipal Secretaria Especial de Ordem Pública, por nomeação do prefeito Eduardo Paes.



Hoje, Beltrame esclareceu a sua declaração com relação a Turnowski, que foi mantido no comando da polícia civil e ouvido como testemunha em face de o seu nome ter sido mencionado num diálogo telefônico entre bandidos.



Beltrame ressaltou que Turnowski não tem “carta-branca”. Ou seja, o secretário é Beltrame e tudo tem de passar por ele.



Embutida na ressalva de Beltrame está claro, para o bom entendedor, que ninguém é insubstituível. Portanto, Turnowski pode rolar. Independente de estar ou não comprometido com as supracitadas quadrilhas. Por puro motivo de oportunidade e conveniência.



A propósito, Beltrame faz lembrar uma velha e revolucionária lição do juiz Giovanni Falcone, ou seja, não existe mais pessoa acima de qualquer suspeita.



2. Até agora, o prefeito Eduardo Paes não sabe quem indicou o delegado Carlos Oliveira para ser seu secretário especial.



Ao jornal O Globo de hoje, o prefeito Eduardo Paes disse que “ainda não sabe quem na época indicou Oliveira para o cargo”.



Com a declaração e diante da prisão preventiva do seu secretário especial, Eduardo Paes quer tirar o corpo e encontrar um culpado pela indicação.



O prefeito Paes não lembra que a responsabilidade pela nomeação de um secretário especial é da sua exclusiva responsabilidade. Como até a pedra da Gávea sabe, o secretário municipal é um agente da autoridade do prefeito. “Caradurismo” não.

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RETROSPECTIVA: 12 de fevereiro de 2011



Operação Guilhotina. Beltrame dá um cala-boca nos opositores e prende policiais suspeitos de corrupção



Beltrame, põe ordem na casa.




–1. O secretário José Mariano Beltrame, –que é delegado de carreira da polícia federal–, não só mandou prender 27 policiais suspeitos de corrupção e de estarem a serviço do crime organizado de matriz mafiosa.



Beltrame, além da Operação Guilhotina de ontem, deu um “cala-boca” naqueles que tentaram, com diversionismos e expediente de falar reservadamente à imprensa, macular o sucesso das operações realizadas no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, no final do ano passado.



Sem coragem de vir a público para denunciar, os inoculadores de peçonhas e os semeadores de cizânias, espalhavam que membros da cúpula de polícia civil reprimiam o Comando Vermelho para fazer o jogo das Milícias (paramilitares) e para favorecer a associação delinquencial rival, conhecida por Amigos dos Amigos (ADA). Em outras palavras, que as operações e as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) eram puro marketing político.



Numa investigação que durou perto de doze meses e recebeu o nome de Operação Guilhotina, o secretário Beltrame, com o apoio do Ministério Público estadual e da Polícia Federal, prendeu ontem 35 suspeitos. Dentre eles, o delegado Carlos Alberto Oliveira, figura de destaque da polícia estadual na última década. Um ex-titular do órgão de Repressão às Armas e Explosivos e atual chefe das operações municipais de Ordem Pública, com atribuição para cuidar do Sanbódromo, no Carnaval que se aproxima. Cerca de 350 policiais federais e 200 civis participaram da Operação Guilhotina.



Mais ainda, com prudência e transparência, Beltrame solicitou ao ministério Público a ouvida, –na condição de testemunha–, do chefe da Polícia Civil, o delegado Allan Turnowski. Num grampo telefônico legal, o seu nome foi mencionado, pois o delegado Carlos Alberto de Oliveira, preso preventivamente ontem, tinha sido o braço direito de Allan Turnowsky.



O delegado Oliveira está sendo acusado de comércio ilegal de armas apreendidas em operações comerciais, formação de quadrilha e peculato (furto por parte de funcionário público).



Na Oeração Guilhotina, além do delegado Oliveira, foram presos preventivamente sete policiais civis e 19 policiais militares.



Quando da ocupação do Complexo do Alemão, corria a notícia, –pelos interessados em colocar sob suspeita a ação que contou com fundamental apoioo do Exército e da Marinha–, de que Turnowski estava envolvido com o crime organizado, como revelavam interceptações telefônicas. Hoje se sabe que apenas uma só interceptação menciona o seu nome. Para o secretário Beltrame, o delegado Turnowsk, chefe da polícia civil, ainda tem a sua confiança e permanecerá no posto.



Em 2006, em operação da Polícia Federal, descobriu-se, por meio de uma enxurrada de provas, que o chefe de polícia, Álvaro Lins (eleito deputado para depois renunciar), estava envolvido com o contraventor Rogério Andrade e o seu pantagruélico patrimônio era incompatível com as suas fontes legais de renda. O contraventor Rogério Andrade explorava os jogos eletrônicos de azar com apoio de Lins e o seu grupo de policiais corruptos, apelidados de “Inhos”. Com relação a Turnowski, frise-se, só existe menção num grampo telefônico. Portanto, Beltrame atuou com exemplar cautela, ou seja, precisa de mais provas ou evidências com lastro.



–2. A Operação Guilhotina desvendou a atuação de quatro quadrilhas de policiais.



–(1) A primeira quadrilha, comandada pelo inspetor de polícia Leonardo da Silva Torres, apelidado Trovão, negociava a venda de armas que foram apreendidas em operação policiais realizadas nas favelas da Rocinha e São Carlos. Além disso, a quadrilha vendia informações para as organizações criminosas. Trovão apereceu em fotos de jornais e nos jornais televisivos em uniforme camuflado de campanha e a fumar charuto para comemorar o sucesso da operação no complexo do Alemão.



–(2) A segunda quadrilha furtou bens de moradores no complexo do Alemão e subtraiu valores escondidos por traficantes, durante buscas na Penha e em face da mega-operação de retomadas de controles territorial e social.



–(3) A terceira quadrilha era a comandada pelo delegado Carlos Antônio de Oliveira, mencionado na matéria acima.



–(4) A quarta quadrilha dá proteção aos contraventores e às casas clandestinas de jogos eletrônicos de azar em Bonsucesso e Guaratiba.



–3. PANO RÁPIDO. O secretário Beltrame teve ser apoiado pelas pessoas de bem. Já mostrou competência e integridade. É um técnico que não faz política partidária. Sua preocupação é com a segurança do Rio de Janeiro e o combate à corrupção policial. E tem o mérito de conter o governador Sérgio Cabral, que não entende de segurança pública e já copiou, antes das UPPs, a trágica e militarizada “guerra às cartéis” do presidente mexicano Felipe Calderon.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–


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