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Mulheres nas praças pedem a cabeça de Berusconi e respeito à dignidade e aos direitos conquistados

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 14 de feveriro de 2011.


Piazza del Popolo, 13 de fevereiro de 2011.




O slogan continua a ecoar: Se non ora, quando? Se não for agora, quando ? E não se esgotou na manifestação a mostrar ao mundo que a praça é das mulheres: La piazza è delle donne. Ontem, mais de 1milhão de mulheres protagonizaram, em 230 cidades italianas, manifestações pacíficas para pedir, além da queda do premiê Silvio Berlusconi, respeito à dignidade e aos seus direitos civis. E as indignadas mulheres entendem, com razão (confira-se o Brasil de Dilma Rousseff), que chegou o momento de uma delas assumir a chefia do governo, como primeira-ministra. Esse movimento espontâneo, sem lideranças e distante dos partidos políticos, multiplicou-se em Nova York e em ruas e praças de importantes cidades de países-membros da União Europeia, como Alemanha, Portugal, Espanha. Teve apoio da comunidade ítalo-argentina. No Brasil, infelizmente, silêncio das oriundi. Em síntese, um movimento que, a partir do chamado escândalo Ruby (Berlusconi é acusado de crimes de desfrutamento de prostituição infantil e concussão), empolgou pela afirmação de conquistas de direitos civis e naturais e pela permanente luta pelo respeito às mulheres. E na Itália não faltam mulheres de respeito e competência para assumir o encargo de premiê. Ontem, em Roma, na Praça do Povo estavam brilhantes e sérias parlamentares progressistas como Bindi, Finocchiaro, Turco e Melandri. Por evidente, as mulheres que apóiam Berlusconi não compareceram, como a neofascista Santanchè, que já mostrou o dedo médio empinado aos cidadãos italianos que protestavam. Mas elas não ficaram em silêncio, justificaram, em entrevistas aos jornais e televisão, a não adesão à manifestação. Para as berlusconianas, tratava-se de manifestação moralista, contrária à liberdade e à autonomia das mulheres. Certamente, incomodaram-se com a presença na praça da respeitadíssima Eugenia Bonetti, uma freira que entregou a vida a dar conforto às mulheres vítimas de abusos sexuais. Às berlusconianas respondeu duro Bianca Beccalli, socióloga, professora na Universidade de Milão e presente na praça da sua cidade: “A propriedade do próprio corpo é como um habeas corpus feminino que foi importante na história do feminismo dos anos 70 e seguintes. Nessa quadra histórica, a reivindicação da autonomia feminina não estava em oposição à crítica da mercantilização do corpo das mulheres. Ao contrário, o corpo como mercadoria e a mulher-objeto eram considerados lesões típicas da autonomia da mulher. . . Ne puttane, ne madonne, siamo donne, era o mote da época”. Beccalli ressaltou: “Combater a mercantilização não é moralismo. É uma reivindicação de dignidade, que pode ser aceita ou refutada. Se alguma ou muitas se sentem bem nesse contexto de venda, que é substancialmente imposto pelos homens, que tenham a livre escolha para usar o corpo e a sedução tradicional”. PANO RÁPIDO. A manifestação não se exauriu no domingo 13. Deve prosseguir, basta atentar para o slogan utilizado: Se non ora, quando ? Enquanto isso, o presidente da república e chefe de Estado, Giorgio Napolitano, já acenou que poderá fazer uso do artigo 88 da Constituição para convocar novas eleições. O artigo 88, num sistema parlamentarista como o italiano, admite que o chefe de Estado pode, ouvidos os demais presidentes das casas legislativas (Câmara e Senado), dissolver as câmaras ou apenas uma só delas. Só não pode fazer isso nos últimos seis meses do seu mandato presidencial. A força das mulheres nas praças poderá levar a Itália a eleições antecipadas. Isso significará a queda, na legislatura em curso, de Berlusconi. Com novas eleições e formada a maioria, uma mulher poderá governar a Itália. E se os partidos de sustentação ganharem, Berlusconi voltará a ser premiê, com aplausos de ladri e puttane. Wálter Fanganiello Maierovitch


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