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Caso Battisti. Umberto Eco diz que decisão de Lula ofendeu a Itália e os italianos

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF, 11 de fevereiro de 2011.



Na madrugada de hoje, a RAI (Rádio e Televisão Italina) transmitiu o programa Anno Zero do jornalista Michele Santoro. Como sofro de insônia e gosto do programa “to ligado”, sempre.



O premier Silvio Berlusconi não tem costumeiras crises de “priapismo” quando o programa de Santoro vai ao ar. Fica enfurecido e, costumeiramente, “passa recibo”. O primeiro-ministro tem de engolir, por exemplo, reportagens com “garotas de programa” que, a pagamento (Berlusconi afirma que não paga e é tudo por amor) , freqüentam as orgias. Orgias que ele comanda até na residência oficial, ou seja, no palazzo Grazioli: a sua maioria parlamentar não autorizou os magistrados italianos do ministério Público realizarem busca e apreensão no escritório do contador do premier, que disse pagar os participantes das festas com cheques.



Anno Zero é um campeão de audiência. É reproduzido no site da RAI e é transmitido no canal internacional.



Por volta das duas horas de hoje, Santoro colocou um protesto de Umberto Eco.



O consagrado escritor, filósofo e lingüista, defendeu a Magistratura dos ataques feitos por Berlusconi. E aproveitou para, numa comparação, dizer que a “decisão do Brasil “(presidente Lula) no caso Battisti ofendeu a Itália e os italianos.



Não se pode, disse Umberto Eco e a respeito de Battisti, julgar e cassar a decisão da Justiça de um país democrático. E, frisou, uma decisão de um estado Democrático que percorreu todas as instâncias.



Umberto Eco lembrou que a Magistratura italiana é independente e cumpre as regras constitucionais. Na Itália, quando dos nove processos condenatórios de Battisti, havia um estado de Direito e não uma ditadura.



Para o notável Umberto Eco, o Brasil julgou a Justiça italiana em pleno regime democrático e cassou a sua decisão. Isso ofendeu a Itália e os italianos. Só poderia ocorrer se fossemos uma ditadura, destacou Eco. De se acrescentar e como bem sabe Umberto Eco, o Brasil tem com a Itália um Tratado de Cooperação Judiciária, aprovada pelo nosso Congresso Nacional.



O ministro Marco Aurélio de Mello, aquele que colocou em liberdade o banqueiro Salvatore Cacciola e cassou inúmeras e unânimes decisões impositivas da prisão preventiva em face do risco dele fugir do país (fato ocorrido), disse ontem ao Terra Magazine que votou contra a extradição por ter Battisti sido condenado com base em delação premiada, “do líder da organização”.



Além de não ler o processo (existe uma infinidade de outras provas e as decisões condenatórias falam delas), o ministro Marco Aurélio julgou a Justiça italiana. Como se percebe, esqueceu as primeiras linhas dos livros de direito internacional.



--2. Sobre o progama Anno Zero. Políticos e jornalistas comentam um tema de importância para a vida do país. De permeio tem humorismo político e um editorial de Marco Travaglio, que tem a melhor obra sobre Operação Mãos Limpas.



Ontem, como era esperado por milhares de expectadores, dentro e fora da Itália, a guerra à Magistratura deflagrada pelo premier Berlusconi era o tema central do debate. O principal convidado foi o líder de esquerda Nick Vendola, governador da Puglia ( sul da Itália).



Parêntese: Vendola é um político honesto, de vida privada discreta e pública irrepreensível. É um administrador competente (levou água às torneiras das casas, saneou as finanças, acabou com a corrupção e tornou eficiente e modelar os serviços sanitários). Homossexual assumido, Vendola tem uma frase tocante e que contrasta com a posição do papa Ratzinger: “Não me envergonho da minha sexualidade e nem tenho um por quê” (tradução livre).



--3. PANO RÁPIDO. Amanhã apresento, neste espaço, a primeira parte das dez mentiras usadas por Battisti e os seus aliados. Uma delas, o ministro Marco Aurélio de Mello, sem ler os autos, engoliu, ou seja, a da prova única. A matéria, com o título “Battisti e o decálogo às avessas ( parte-1)” está na revista Carta Capital, já nas bancas.

--Wálter Fanganiello Maierovitch--


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