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Narco-esmola e narco-dízimo. Igreja proibe recebimento de ofertas de traficantes

Por Wálter Fanganiello Maierovitch- Terra Magazine.

IBGF,3 de fevereiro de 2011.






--1. Como muitos pelo mundo, também os chefões e os soldados dos potentes cartéis mexicanos de drogas têm as suas crenças.



Os narco-chefões e os seus comandados parecem acreditar que algumas ofertas financeiras servem como remissão de pecados. Ou que Deus, depois de “engraxado”, fique mais condescendente.



Assim, os integrantes de organizações criminosas não deixam passar em branco (“in albis”, no latinório da Igreja romana) as oportunidades. Por exemplo, o pagamento do dízimo, o “denarius a São Pedro (óbulo de São Pedro que vai ao papa para as obras pias), uns trocados no ofertório da missa, etc, etc.



Sem corar e com caradurismo rochoso, o bispo Ramon Godinez, responsável por uma diocese católica mexicana, ficou internacionalmente conhecido pela inusitada tese que sustentava nos púlpitos e fora deles. Para o bispo Ramon, o dízimo ou a esmola oferecidos por narcotraficantes “ficavam purificadas” ao entrar nos cofres da Igreja.



Pelo sustentado pelo bispo mexicano Ramon, pode-se concluir, respeitosamente, que alguns cofres de igrejas servem de lavanderias. Ou seja, purificam a ponto de apagar a origem suja do capital. “Miracolo”, diria don Camillo ao materialista don Peppone, ambos personagens criados pelo escritor e jornalista Giovannino Guareschi.



Ontem, no México, o núncio apostólico, cardeal Cristophe Pierre, pôs ordem na casa, ou melhor, nas Igrejas.



O núncio solicitou aos clérigos para recusarem qualquer tipo de oferta ou contribuição financeira oferecida pela criminalidade organizada mexicana, a popular “narco-esmola” ou narco-dízimo.



Pierre avisou não se dever “celebrar pactos com o narcotráfico”. Os chefões das drogas “ vivem do desfrutamento e da falta de princípios morais e lhes falta honestidade”.







O dinheiro sujo não deve ser nunca aceito, concluiu o núncio Cristophe Pierre.



Como cartão de crédito vem sendo muito usado e aceito nos cultos (não só católicos), o encarregado da máquina eletrônica de captação deve “conhecer o seu cliente”, para usar uma linguagem bancária nascida no Pacto da Basiléia, que reuniu as maiores instituições financeiras a fim de impedir a lavagem nos bancos.



--2. Entre os evangélicos não existe, também, a preocupação de se indagar sobre a origem do ofertado. E são aceitos cartões de débito.



A um narco-boss sempre interessa se infiltrar poder, seja religioso, seja laico.



A Máfia siciliana sempre procurou, nas comunidades, aproveitar o prestígio da paróquia. Numa obra imperdível, intitulada a Máfia Devota, a pesquisadora Alessandra Dino, da Universidade de Palermo, revela essas aproximações. Tem até mafioso a carregar andor nas procissões.



--3. PANO RÁPIDO. Deveria ser preocupação de todas as religiões evitar contribuições “sujas”. Afinal “pecunia olet” ( o dinheiro tem cheiro).

-- Walter Fanganiello Maierovitch--


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